Título: O que me faz pular
Autor: Naoki Higashida
Editora: Intrínseca
Ano de publicação: 2014
Páginas: 190
Sinopse
Naoki Higashida sofre de
autismo severo. Com grande dificuldade de se comunicar verbalmente, o jovem
aprendeu a se expressar apontando as letras em uma cartela de papelão, e, aos
treze anos, realizou um feito extraordinário: escreveu um livro. Delicado,
poético e profundamente íntimo, O que me faz pular traz uma nova luz para
entendermos a mente autista. O jovem explica o comportamento muitas vezes
desconcertante das pessoas com autismo e compartilha conosco suas percepções de
tempo, vida, beleza e natureza, apresentadas em um relato e um conto
inesquecível.
Em
meio às dores de cabeça com o TCC, surge a vontade de abandonar a leitura
atual, desobedecer a regra da TBR BOX (To
be read box, ou seja, caixa dos livros para serem lidos), resolvi ler “O
que me faz pular”, não só pelo fato de mudar de tipo de leitura, mas por ser um
livro escrito por um garoto autista.
Com
introdução de David Mitchell, pai de um garoto também com autismo. Ele conta
que através da palavras de Naoki, pela primeira vez ele sentiu como se o seu
filho estivesse falando com eles sobre o que acontece dentro de sua cabeça.
“Um livro, no entanto, vai muito além de fornecer informação: oferece uma prova de que, encerrada no corpo aparentemente incapaz do autista, está uma mente tão curiosa, perspicaz e complexa quanto a sua, a minha e a de qualquer um.” (p.14)
Com
a ajuda de sua mãe e de uma professora, Naoki aprendeu a se comunicar e se
expressar apontando as letras em um teclado de papelão. E aos 13 anos, acabou
escrevendo “O que me faz pular” um livro que é dividido em partes onde ele
esclarece perguntas sobre o comportamento de pessoas com autismo, e outras
questões que explicam do seu jeito o que acontece na mente de pessoas como ele
(autistas). E em contos criados por ele, onde mostra a sua criatividade e
habilidade para escrever.
“Não se pode julgar uma pessoa pela aparência. Mas, a partir do momento em que você entende o que acontece dentro do outro, vocês dois podem se tornar bem mais próximos. Do seu ponto de vista, o mundo do autismo deve parecer um lugar extremamente misterioso.” (p.22)
O
que muitas vezes achamos que agem de certa forma porque querem, mas não sabemos
o que realmente eles pensam. Um exemplo é a comunicação, onde ele diz que
conversar é um trabalho muito duro, nem sempre o que é dito é aquilo que
pretendia. As coisas para eles não acontecem ao mesmo tempo e na mesma
velocidade que acontecem conosco, e para que ele faça as coisas é preciso:
Se
for falar das respostas dadas por ele no livro, você pode até ficar sem vontade
de lê-lo, então deixarei apenas duas:
“PERGUNTA 25:POR QUE VOCÊ PULA?[...]Mas, quando pulo, é como se meus sentimentos rumasse em direção ao céu. Na verdade, minha necessidade de ser engolido pela imensidão lá em cima é suficiente para estremecer meu coração. Quando estouo pulando, posso sentir melhor as partes do meu corpo – as pernas saltando, as mãos batendo – , e isso me faz muito, muito bem. [...]” (p. 87)
“PERGUNTA 58:QUAIS SÃO SEUS PENSAMENTOS EM RELAÇÃO AO AUTISMO?[...]Mesmo que sejamos fisicamente parecidos com os outros, somos na verdade diferentes de muitas maneiras. Como se fôssemos viajantes que vieram de um passado muito, muito distante. E, se a nossa presença servir para ajudar as outras pessoas a lembrar o que é mesmo importante para a Terra, isso nos dará satisfação interior.”(p. 165)
Sabe,
“O que me faz pular” nos leva a refletir sobre quão maravilhosa é a nossa vida,
é a nossa comunicação, e que deveríamos agradecer todos os dias por isso. Além
de tudo, poderemos então entender como as pessoas com autismo se sentem e assim
teremos mais paciência com eles, entendendo assim as suas atitudes.
“O que eu devo esperar do futuro se meu autismo nunca puder ser curado? Quando eu era pequeno, essa pergunta era uma tremenda preocupação. Eu tinha medo de, por ser autista, nunca poder viver como um autêntico ser humano. Não poder fazer coisas que eram corriqueiras para os outros e ter que me desculpar o tempo todo minavam minha esperança.” (p.189)





Nenhum comentário:
Postar um comentário