domingo, 12 de julho de 2015

[PERDIDO EM MARTE]




Título: Perdido em Marte
Autor: Andy Weir
Editora: Arqueiro
Ano de publicação: 2014
Páginas: 336



Sinopse
Há seis dias, o astronauta Mark Watney se tornou a décima sétima pessoa a pisar em Marte. E, provavelmente será a primeira a morrer no planeta vermelho. Depois de uma forte tempestade de areia, a missão Ares 3 é abortada e a tripulação vai embora, certa de que Mark morreu em um terrível acidente. Ao despertar, ele se vê completamente sozinho, ferido e sem ter como avisar às pessoas na Terra que está vivo. Ainda assim, Mark não está disposto a desistir. Munido de nada além de sua curiosidade e de suas habilidades de engenheiro e botânico - e um senso de humor inabalável -, ele embarca numa luta obstinada pela sobrevivência.


Em mais um dos meus muitos passeios nas livrarias de Salvador, me deparei com o título “Perdido em Marte”. Um nome meio bobo, típico de filmes exibidos na Temperatura Máxima. Li a sinopse e achei bem interessante. Até me lembrou um pouco do excelente “Gravidade”, filme em que a Sandra “Miss Simpatia” Bullock fica à deriva no espaço. Pensei: Por que compra-lo? Por que não compra-lo? Por que compra-lo? Por que não compra-lo? Comprei! O livro ficou estacionado um bom tempo na minha estante até eu saber que ele ganhou uma adaptação cinematográfica, prevista para estrear por aqui em outubro (assista o trailer). Dei uma trapaceada na minha TBR e resolvi ler as desventuras do astronauta forever alone.


O livro narra a história de Mark Watney, um astronauta numa missão da NASA no Planeta Vermelho. Depois de uma forte tempestade de areia, a tripulação é orientada a cancelar a missão e ir embora. Durante o trajeto de volta à nave, Mark sofre um grave acidente. Todos os outros acreditam que ele está morto, então seguem com o plano de voltar pra casa ( #PartiuTerra ).

Por incrível que pareça, Mark sobrevive ao acidente e, ao acordar, percebe que está sozinho em Marte, sem ter como se comunicar com a Terra e com suprimentos suficientes para apenas mais alguns dias. Mas Mark é persistente, não do tipo que desiste fácil. Sendo assim, vai usar todos os seus conhecimentos de engenheiro e botânico para travar uma difícil batalha pela sobrevivência.


E foi exatamente nesse ponto que a leitura de “Perdido em Marte” ficou um pouco complicada para mim. O autor enche o livro de embasamentos científicos para mostrar como o personagem estava fazendo para conseguir oxigênio, água e até plantar batatas em solo marciano. Mas como isso pode ser ruim? Mostra o quanto Andy Weir pesquisou sobre o assunto e como tudo aquilo era plausível. Ok, eu concordo. Mas para uma pessoa que não é da área de química e biologia (lê-se: que não gosta/entende desses assuntos), pode parecer informações e técnicas demais. Muita ciência e pouca ficção.

No entanto, isso permanece somente nas páginas iniciais. Com o decorrer do livro, diversas situações vão ocorrendo. Situações bem angustiantes que prendem a nossa atenção. E, mais uma vez, os detalhes de Andy Weir (dessa vez utilizados na parte fictícia da história) são fundamentais para criar um clima de tensão constante. Não existe um momento de calmaria. Sempre tem alguma coisa acontecendo. Boa ou ruim.


"Se o oxigenador quebrar, vou sufocar. Se o reaproveitador de águar quebrar, vou morrer de sede. Se o Hab se romper, vou explodir. Se nada disso acontecer, vou ficar sem alimento e acabar morrendo de fome. Então, é isso mesmo. Estou ferrado." (p. 14)
"Se um  excursionista se perde nas montanhas, as pessoas organizam uma busca. Se um trem colide, as pessoas fazem fila para doar sangue. Se um terremoto arrasa uma cidade, as pessoas em todo o mundo mandam suprimentos de emergência. Isso é tão fundamentalmente humano que é encontrado em todas as culturas, sem exceção. Sim, existem babacas que não se importam, mas são uma ínfima minoria. E, por causa disso, bilhões de pessoas ficaram do meu lado." (p. 335)


A escrita do autor é bastante agradável e flui num ritmo bacana. E o personagem principal, Mark Watney, é um dos caras mais bem humorados e carismáticos que já encontrei num livro. Sem falar na sua inteligência. Ele manja dos paranauê.

Enfim, esse foi o meu primeiro livro de ficção científica e uma experiência diferente para mim. Apesar do estranhamento inicial, de ficar perdido no meio de moléculas, elementos e reações químicas, a história me conquistou e se tornou uma surpresa bem agradável. “Perdido em Marte” nos mostra que não há nada tão forte e poderoso quanto o espírito humano.


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sexta-feira, 12 de junho de 2015

[TOP 5 LIVROS PARA O DIA DOS NAMORADOS]

Uma vez num filme o protagonista dizer que “o dia dos namorados é uma data criada pelos vendedores de cartões.” E por que não dizer pelos vendedores de livros também? Afinal de contas, na lista dos 15 livros mais vendidos do site PublishNews no mês passado, oito são de romance.


Todo mundo está constantemente procurando alguém para estar perto, para dividir as coisas. Todo mundo procura um amor. E essa eterna condição humana na busca pelo amor e os seus descaminhos sempre rendem boas histórias.

Romeu e Julieta, Dante e Beatriz, Sr. Darcy e Elizabeth, Capitu e Bentinho, Allie e Noah, Edward e Bella, Emma e Dexter, Cristian e Anastasia (por que não?), Hazel e Gus... Com certeza você conhece alguns casais dessa lista. As histórias de amor, sejam elas reais, sobrenaturais ou um tantinho salientes, estão presentes na literatura desde sempre. Se você ainda não leu ou se emocionou com uma delas, pode se preparar porque vai acontecer um dia. É inevitável. Comigo acontece constantemente.

Por isso, resolvi fazer esse top 5* com os meus livros românticos favoritos. Mas fica o alerta: estes livros contêm ninjas invisíveis cortadores de cebola que nos fazem suar pelos olhos.

5º TODO DIA





O livro conta a história de A, um ser que corda todo dia em um corpo diferente. Não importa o lugar, o gênero ou a personalidade, A precisa se adaptar ao novo corpo, mesmo que só por um dia. Depois de 16 anos vivendo assim, A já aprendeu a seguir as próprias regras: nunca interferir, nem se envolver. Até que uma manhã acorda no corpo de Justin e conhece sua namorada, Rhiannon. A partir desse momento, todas as suas prioridades mudam, e, conforme se envolvem mais, lutando para se reencontrar a cada 24 horas, A e Rhiannon precisam questionar tudo em nome do amor.






4º P.S. EU TE AMO







Gerry e Holly eram namorados de infância e ficariam juntos para sempre, até que o inimaginável acontece e Gerry morre, deixando-a devastada. Conforme seu aniversário de 30 anos se aproxima, Holly descobre um pacote de cartas nas quais Gerry, gentilmente, a guia em sua nova vida sem ele. Com ajuda de seus amigos e de sua família barulhenta e carinhosa, Holly consegue rir, chorar, cantar, dançar e ser mais corajosa do que nunca.







3º A CULPA É DAS ESTRELAS





O livro narra o romance de dois adolescentes que se conhecem (e se apaixonam) em um Grupo de Apoio para Crianças com Câncer: Hazel, uma jovem de dezesseis anos que sobrevive graças a uma droga revolucionária que detém a metástase em seus pulmões, e Augustus, de dezessete, ex-jogador de basquete que perdeu a perna para o osteosarcoma. Como Hazel, Gus é inteligente, tem ótimo senso de humor e gosta de brincar com os clichês do mundo do câncer. Um livro sobre a alegria e a tragédia que é viver e amar.







2º UM DIA




Dexter Mayhew e Emma Morley se conheceram em 1988. Ambos sabem que no dia seguinte, após a formatura na universidade, deverão trilhar caminhos diferentes. Mas, depois de apenas um dia juntos, não conseguem parar de pensar um no outro. Ao longo dos vinte anos seguintes, flashes do relacionamento deles são narrados, um por ano, todos no mesmo dia: 15 de julho. Dexter e Emma enfrentam disputas e brigas, esperanças e oportunidades perdidas, risos e lágrimas. E, conforme o verdadeiro significado desse dia crucial é desvendado, eles precisam acertar contas com a essência do amor e da própria vida.






1º A MULHER DO VIAJANTE NO TEMPO




A história de Henry DeTamble e Clare Abshire é a saga mágica de um casal que vive se reencontrando ao longo da vida, com idades diferentes, e não necessariamente na ordem cronológica. Ele pode ter 28 anos e ela 20; ele pode ter 40 e ela 6. Condenado por uma rara condição genética a se deslocar no tempo em momentos de grande emoção, ele vive o processo de conhecimento da mulher de sua via às avessas. Forçados pelo destino a olhar um para o outro de ângulos novos de tempos em tempos, eles vivem uma história de amor com características únicas e capaz de transpor todas as barreiras - inclusive a mais implacável de todas: o tempo.







*Sinopses retiradas dos sites das editoras.

domingo, 31 de maio de 2015

[UM OLHAR DE AMOR]


Título: Um olhar de amor
Autora: Bella Andre
Editora: Novo Conceito
Ano de publicação: 2012
Páginas: 247





Sinopse

Chloe Peterson está tendo uma noite ruim. Uma noite realmente ruim. O machucado grande em sua bochecha pode provar isso. E quando seu carro patina para fora da estrada molhada em direção a uma vala, ela está convencida de que até o cara maravilhoso que a salvou do meio da tempestade deve ser muito bom para ser verdade. Ou ele é mesmo? Por ser um fotógrafo de sucesso que viaja frequentemente pelo mundo, Chase Sullivan tem seu jeito com mulheres bonitas, e quando ele está em casa, em São Francisco, um de seus sete irmãos normalmente está acordado para começar um pouco de diversão. Chase acha que sua vida é ótima do jeito que está — até a noite que encontra Chloe e seu carro destruído na rodovia Napa Valley. Não apenas nunca tinha conhecido alguém tão adorável, por dentro e por fora, mas como também percebe que ela tem problemas maiores do que seu carro batido. Logo, ele será capaz de mover montanhas por amor — e proteção — a ela, mas ela deixará? Chloe prometeu nunca cometer o erro de confiar em um homem novamente. Mas a cada olhar que Chase lança a ela — e a cada carinho doce e pecaminoso — conforme a atração entre eles sai faísca e esquenta, ela não pode fazer nada a não ser se perguntar se encontrou a única exceção. E apesar de Chase não perceber que sua vida mudaria para sempre em um instante, para melhor, ele não é o único a querer lutar por essa mudança. Ao contrário, ele está se preparando para uma luta... pelo coração de Chloe.


Impossível ler um "romance erótico", depois de 50 tons, e não comparar! 
[Que me desculpem os do contra, mas 50 tons é 50 tons!!]
Mas vamos lá...

Um homem podre de rico (mais uma vez), inteligente (mais uma vez), encantador (mais uma vez), educado (mais uma vez)  que se apaixona por uma estranha (mais uma vez) [suspiros... nada se compara a Christian, mas os Sullivan são bons também]. 

“Um olhar de amor” conta a história de um dos irmãos Sullivan. Chase Sullivan. Ele tem 32 anos é um fotografo lindo, rico, inteligente e ai ai... [suspiros,,, tô repetitiva né?!]

- Quem é? - ela sussurou de volta... - É o Marcus - Jemery respondeu em tom de reverência. - Nossa! Aquele é o irmão do Chase? Havia seis deles? Como Chase, Marcus tinha uma beleza inacreditável. Ainda assim, embora ela reconhecesse a pura beleza quando a via, seu coração não estava acelerado e ela não estava perdendo o fôlego e sentindo vontade de tocar, nem nada disso. No entanto, não havia como negar a poderosa fascinação causada pelos homens da família Sullivan" (p.63) 

Em uma noite chuvosa, voltando da festa de 70 anos de sua mãe, ele encontra um carro caído em uma vala, uma mulher sozinha com o rosto machucado e com uma mochila nas costas, andando sem rumo pela estrada. Ela se chama Cloe.

Ele para o seu carrão e oferece ajuda, mas ela não aceita inicialmente. Por causa da escuridão e da chuva de granizo, eles só vão percebendo aos poucos a beleza um do outro. Mas o magnetismo que existe entre eles já é notado desde os primeiros momentos.

Um motoqueiro aparece e quase atropela Cloe, que é salva, é claro, por Chase. Ele leva Cloe para o vinhedo do seu irmão, contra a vontade dela [é claro, porque ela não é piriguete!]

Chegando lá, ele não consegue disfarçar o seu tesão por aquela desconhecida e ela se faz de durona. 



Raio X do casal: ele: tem 1 mês sem  sexo; ela: veio de um casamento complicado.

Chegando ao quarto no qual iria dormir, Cloe tem uma supresa: uma mulher completamente nua na cama. Ela se chama Ellen e seria o encontro da noite de Chase. Após a situação constrangedora, Chase dispensa Ellen, por causa de Cloe [aquela estranha que ele acabou de conhecer].

Naquela noite cada um vai para o seu quarto.

Cloe não resiste à banheira que vê no quarto e resolve aproveitar... [as cenas seguintes eu me recuso a contar! Quem ficar curioso, que leia!]   

Cloe  não conta o que aconteceu com seu rosto. Chase não pergunta. Mas fica claro que ela apanhou de um homem, seu ex. Os dois vão se envolvendo, ela vai ficando aos poucos...  e cenas quentinhas acontecem!

O primeiro beijo só acontece quando não tem mais graça. Antes do beijo os dois ficam morrendo de vontade se agarrar, mas não fazem nada ( sei não viu!). Quando as coisas finalmente acontecem, acontecem!




 Ele tem o objetivo de conquistar a confiança dela, por isso promete que só vai fazer o que ela pedir. Até mesmo quando ela pede, ele ainda pergunta: tem certeza? 

O livro se desenvolve mostrando a fortíssima atração dos dois e o quanto eles “funcionam” bem juntos. As cenas são beeem picantes. 

Há uma coisinha pequena , quase imperceptível, que lembra o gosto BDSM de 50 tons, mas bem pequena mesmo. 

Achei o livro sem enredo, sem história. Fora o clima picante, não tem nada de surpreendente. 

Resumindo:
- Se você está procurando só algumas cenas picantes: leia!
Se você está procurando cenas picantes + um história envolvente: corra e pegue 50 tons! 

E é só isso por hoje! 



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domingo, 24 de maio de 2015

[O DIÁRIO DE SUZANA PARA NICOLAS]




Título: O diário de Suzana  para Nicolas
Autor: James Patterson
Editora: Arqueiro
Ano de publicação: 2012
Páginas: 224




Sinopse

Depois de quase um ano juntos, o poeta Matt Harrison acaba de romper com Katie Wilkinson. A jovem editora, que não tinha qualquer dúvida quanto ao amor que os unia, não consegue entender como um relacionamento tão perfeito pôde acabar tão de repente. Mas tudo está prestes a ser explicado. No dia seguinte ao rompimento, Katie encontra um pacote deixado por Matt na porta de sua casa. Dentro dele, um pequeno volume encadernado traz na capa cinco palavras, escritas com uma caligrafia que ela não reconhece: “Diário de Suzana para Nicolas”. Ao folhear aquelas páginas, Katie logo descobre que Suzana é uma jovem médica que, depois de sofrer um infarto, decidiu deixar para trás a correria de Boston e se mudar para um chalé na pacata ilha de Martha’s Vineyard. Foi lá que conheceu Matt. E lá nasceu o filho deles, Nicolas. Por que Matt teria lhe deixado aquele diário? Agora, confusa e sofrendo pelo fim do relacionamento, é nas palavras de outra mulher que Katie buscará as respostas para sua vida. O diário de Suzana para Nicolas é uma história de amor que se constrói ao virar de cada página. Cada revelação é mais uma nuance sobre seus personagens. Cada descoberta é um fio a mais a ligar vidas que o destino entrelaçou.




"O Diario de Suzana para Nicolas" conta a história de Katie Wilkinson, Suzana Badford, Matt Harrison e Nicolas Harrison.

Quatro pessoas e uma história, uma história de amor (sim, eu ADORO romances!!) 

Matt é um “faz tudo” de Martha’s Vineyard e também um poeta em segredo.

Suzana é uma médica que morava em Boston. E teve um infarto aos 35 anos.

Despois do infarto ela decide seguir a lição das 5 bolas.


Ela se muda para  Martha’s Vineyard em busca de uma vida mais saudável e casa-se com o “faz tudo”. Do fruto desse amor nasce Nicolas.


Katie é uma editora sênior em uma editora de Nova York especializada em poesia e romance literário.

Katie conhece o “faz tudo” quando a editora na qual ela trabalha compra os direitos autorais do livro de poesias dele – “Canções de um pintor de casa”.

Os dois se apaixonam e vivem um namoro quase perfeito durante 11 meses.

Quase perfeito porque ele não a deixa visita-lo em Martha’s  Vineyard.

Ela acha que Matt é casado. Mas ele garante que a ama e que não é casado.

Matt é o homem dos sonhos tanto para Suzana quanto para Katie.

Em uma certa noite, Katie prepara um jantar especial para contar duas surpresas a Matt:

Supresa 1: entregar o primeiro exemplar do seu livro de poemas.
Supresa 2: contar que estava grávida.

Antes da segunda surpresa, ele diz:

“Katie, precisamos terminar. Não posso continuar com você. Não venho mais a Nova York. Sinto muito. Eu precisava dizer pessoalmente. Foi por isso que vim. Sei como parece horrível e inesperado.” (p. 27) 

O mundo de Katie CAIU.

O livro começa com ela lembrando do dia em que recebeu um livro de Matt – O diário de Suzana para Nicolas. Matt havia deixado em sua porta com um bilhete:



O  livro é alternado entre as partes do diário de Suzana e as emoções de Katie após a leitura dessas partes.




Suzana escreve coisas do cotidiano deles - dela, de Matt e de Nicolas - para que Nicolas possa ler ao crescer.

Ela é uma mulher encantadora. Uma mãe maravilhosa. Uma esposa perfeita.

O que piora a situação de Katie. Ela começa a gostar de Suzana lendo o diário e, consequentemente, odiar Matt ( eu também odiei!).

O diário é uma das coisas mais lindas que já li. Para quem tem o instinto materno aflorado como eu, é uma ideia maravilhosa.

"Havia um limite de leitura do diário que Katie conseguia suportar por vez. Matt a alertara sobre isso no bilhete: algumas partes provavelmente serão difíceis de suportar. Agora Katie sabia que não era apenas difícil , mas avassalador." (p.104)

A cada página do livro fui me apaixonando pelos três. 

No começo ele - Matt - é o cara perfeito. Mas não aquele perfeito impossível, um perfeito completamente possível (acredito eu!). Sem rios de dinheiro, "apenas" um pintor de casas, um "faz tudo", extremamente encantador, apaixonante ...

Depois parece não ser tão perfeito assim...

Fui lendo o livro e pensando: Filho de uma  P esse cara!!! Não é possível!

Aí vieram as dúvidas :
- Será que Matt era casado com Suzana e namorava Katie?
- Como ele conseguia enganar as duas?
- Ele gostava das duas de verdade?
- Onde estava Suzana?


As palavras de Suzana trazem respostas para todas as perguntas de Katie (e as nossas também).

Tudo o que Matt não conseguia falar.

"O diário de Suzana para Nicolas" é uma história de amor real, que pode acontecer comigo, com você ou com ela (espero que não aconteça!). Nós podemos ser Katie ou Suzana...


Um livro pequeno com uma leitura fácil e rápida e uma história linda!

E o finalll... ah o final! Conseguiu superar QUALQUER  expectativa.

Este livro é indicado para quem gosta de romance sem príncipe encantado montado no cavalo branco.
Para quem gosta de pequenos detalhes que fazem a diferença em qualquer relação.

De amores que se constroem a cada dia, nas minuciosidades, ao pé do ouvido, em silêncio, para quem gosta de coisas simples, mas que são tão grandiosas. 

Espero que gostem.

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domingo, 3 de maio de 2015

[SUA RESPOSTA VALE UM BILHÃO]


Título: Sua resposta vale um bilhão
Autor: Vikas Swarup
Editora: Companhia das Letras
Ano de publicação: 2009
Páginas: 344



Sinopse
Ram Mohammad Thomas está na cadeia. Ganhou um bilhão de rupias, o maior prêmio já pago na história da televisão, por ter respondido corretamente a doze perguntas num programa de perguntas e respostas. Mas como é possível que um garçom de dezoito anos que não fez sequer o curso primário saiba qual é o menor planeta do sistema solar e quem inventou o revólver? Sem dúvida houve fraude. Ou não? Para provar que não, o rapaz terá de contar a história de sua vida, curta porém muito movimentada: uma fascinante viagem pela Índia atual, terra onde todos os extremos se tocam e quase tudo é possível.



Não sei se o mesmo acontece com vocês, mas quando compro um livro que originou um filme que já assisti tenho uma certa preguiça em encarar a leitura. Talvez porque já conheça a história. Não sei. O fato é que ele fica um bom tempo parado na estante. Às vezes até bate uma vontade de ler, mas lembro que já sei como tudo vai terminar e aí... não estou disposto!

Foi o que aconteceu com "Sua resposta vale um bilhão", que originou o filme "Quem quer ser um milionário?" . Mas finalmente tomei coragem e comecei a ler. Não tinha nem terminado o prólogo ainda e já estava pensando: por que fiquei tanto tempo sem ler isso???


O livro é narrado por Ram Mohammad Thomas, um garçom de 18 anos que ganhou o maior prêmio de todos os tempo - 1 bilhão de rupias - ao participar de um programa de perguntas e respostas na televisão (tipo o extinto Show do Milhão #ReprisaSilvio). Mas como um garoto como Ram, considerado inculto e que nem terminou os estudos, pôde acertar todas as respostas? Os produtores do programa alegam que ele trapaceou e levam o jovem para a delegacia. Agora, Ram terá que contar a história de sua vida conturbada, onde cada episódio narrado mostra como ele de fato sabia aquelas respostas.


"A senhora repara quando respira? Não. A senhora simplesmente sabe que está respirando. Eu não fui à escola. Nunca li livro nenhum. Mas a verdade é que que sabia aquelas respostas." (p. 27)
"Há muitos anos cheguei à conclusão de que os sonhos só tem poder sobre a mente do próprio sonhador, mas o dinheiro nos permite ter poder sobre a mente dos outros." (p. 335)


Escrito em primeira pessoa, "Sua resposta vale um bilhão" é uma viagem pela Índia contemporânea repleta de situações cômicas e trágicas. A leitura é como um passeio de montanha russa: ora a gente ri, ora a gente chora e quando chega no final a gente quer repetir tudo.

Vikas Swarup tem uma escrita extremamente ágil e tudo flui num ritmo frenético. As situações vividas por Ram Mohammad Thomas são uma mistura perfeita de sorte e esperteza.


E por falar nele, que personagem incrível! A empatia é imediata. Nunca torci tanto por um personagem quanto torci por Ram. Ele é humilde e ingênuo, mas ao mesmo tempo é sagaz, honesto e extremamente leal. Os outros personagens também são bem desenvolvidos e, conforme ajudem ou atrapalhem o protagonista, a gente vai amá-los ou odiá-los. Vikas Swarup sabe como manipular o leitor.

Em relação à adaptação cinematográfica do livro, o que dá para dizer é que são duas obras que tem a mesma premissa. E só. O filme traz outros personagens, outras situações. Tudo é diferente. Até mesmo o nome do protagonista. Não quero dizer que o filme é ruim. Muito pelo contrário. É excelente! Mas são coisas diferentes. Dica: veja as duas.


"Sua resposta vale um bilhão" se tornou um dos melhores livros que já li. Entrou fácil no meu top 10. Cativante desde o início, a obra prende o leitor até um desfecho surpreendente. Um livro que merece ser lido por todo mundo.


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sábado, 25 de abril de 2015

[Passarinha]

Título: Passarinha
Autora: Kathryn Erskine
Editora: Valentina
Ano de publicação: 2013
Páginas: 224




Sinopse
No mundo de Caitlin, tudo é preto e branco. Qualquer coisa entre um e outro dá uma baita sensação de recreio no estômago e a obriga a fazer bicho de pelúcia. É isso que seu irmão, Devon, sempre tentou explicar às pessoas. Mas agora, depois do dia em que a vida desmoronou, seu pai, devastado, chora muito sem saber ao certo como lidar com isso. Ela quer ajudar o pai – a si mesma e todos a sua volta –, mas, sendo uma menina de dez anos de idade, autista, portadora da Síndrome de Asperger, ela não sabe como captar o sentido.
Caitlin, que não gosta de olhar para a pessoa nem que invadam seu espaço pessoal, se volta, então, para os livros e dicionários, que considera fáceis por estarem repletos de fatos, preto no branco. Após ler a definição da palavra desfecho, tem certeza de que é exatamente disso que ela e seu pai precisam. E Caitlin está determinada a consegui-lo. Seguindo o conselho do irmão, ela decide trabalhar nisso, o que a leva a descobrir que nem tudo é realmente preto e branco, afinal, o mundo é cheio de cores, confuso mas belo. Um livro sobre compreender uns aos outros, repleto de empatia, com um desfecho comovente e encantador que levará o leitor às lágrimas e dará aos jovens um precioso vislumbre do mundo todo especial dessa menina extraordinária.

“Passarinha” conta a história de Caitlin uma menina de 10 anos com autismo e síndrome de Asperger. Ela mora com seu irmão mais velho, Devon, e seu pai, Hanry. Sua mãe morreu de câncer.

Devon é o “guia” da menina, indicando como ela deve agir nas mais diversas situações,  é o único que consegue entendê-la.  Ele morre em um massacre na escola. 


E Caitlin se vê “sozinha”.

O dia em que Devon morreu é intitulado por ela de: “O Dia Em Que A Nossa Vida Desmoronou”.

Para superar, a menina passarinha, precisa encontrar um novo jeito de viver e ajudar seu pai a voltar a sorrir.

Um dia a menina encontra o significado da palavra desfecho e entende que é isso que todos precisam, de um desfecho.

Devon era escoteiro e estava construindo um armário que era a sua missão para se tornar um Escoteiro Águia.

Passarinha transforma esse projeto no desfecho para as suas vidas.



E por que passarinha? Aí meu querido(a) Vá ler o livro, tenho certeza que não irá se arrepender!


“Fico só parada e passo os braços ao meu redor como um campo de força apertado os olhos até quase fecharem para tentar trancar tudo do lado de fora. Não funciona. Ainda me sinto como uma Caixa de Itens Falsa que o Mario Kart vai atropelar a qualquer momento. Começo a chupar o punho da blusa que sai da manga da jaqueta.” (p. 35)

Algumas coisas importantes sobre Caitlin:

ü  tem dificuldade de captar o sentido das coisas;
ü  gosta de fazer bicho de pelúcia;
ü  não gosta que invadam o seu espaço pessoal;
ü  ela é uma ótima desenhista, mas são consegue desenhar os olhos das pessoas;
ü  não gosta de cores;
ü  ela dá PIB (Piti Incrivelmente Barulhento);
ü  busca um desfecho para ela e o seu pai.



“Josh me encara com os olhos apertados. Não tenho culpa se o seu irmão está MORTO!
NÃÃÃÃO! Escuto um grito e só quando tento fugir para longe MUITO LONGE mas ele não para de me seguir é que percebo que sou eu.” (p.40)

O livro é contado por Caitlin, pelos seus olhos e pelas suas emoções.

O texto é escrito utilizando palavras inteiras com letras maiúsculas ou só algumas sílabas. Para destacar algum sentimento dela. 
Por exemplo, para Catlin palavras como coração devem ser escritas com a inicial maiúscula, porque é uma palavra importante, e palavras importantes são escritas com letra maiúscula. 

Os diálogos são fascinantes, dei muitas gargalhadas!

Ela é uma menina incrivelmente inteligente e encantadora!

"NA NOITE DE TERÇA ENTRO NA cozinha e encontro papai parado diante da pia.
O que tem para o jantar? Pergunto. Ele se vira depressa com os olhos muito grandes o que acho que quer dizer surpreso. Mas por que ele estaria surpreso se sabe que eu moro aqui? Que foi?  Pergunto. Desculpe. Ele se vira de novo para a pia. Eu estava meio perdido...Você está na cozinha, digo a ele. Fica perto da sala. Depois vem o corredor que vai dar nos..." (p.141)
Bom, não sou médica, mas perguntei ao Dr. Google e ele me disse que os autistas que são portadores da síndrome de Asperger são verbais e inteligentes, quase gênios, pois são muito bons nas áreas que gostam.

Isso fica bem claro no livro. 

Catlin devora livros do seu interesse. Inclusive livros com assuntos complexos que não são indicados para a sua idade.

Kathryn Erskine escreveu este livro inspirada no massacre da Virginia Tech University em 2007, um estudante matou 32 colegas e professores antes de se matar. Ela tentou interligar essa fatalidade com o mundo de uma criança com necessidades especiais para nos transmitir algo bom, forte e bonito

Devo confessar que mais uma vez comprei um livro pela capa! Que capa linda é essa?!?!

Que o “Extraordinário” (já tem resenha aqui no blog) não fique com ciúmes, mas “Passarinha” também é um livro extraordinário. 

Os dois estão na “lista de livros que os meus filhos vão ler” (sim, eu tenho essa lista #amalucadaslistas). 

O menino extraordinário e a menina extraordinária! (algum escritor podia escrever um livro com o encontro dos dois #ficadica).






Acredite, TUDO o que eu pudesse escrever sobre esse livro, não seria suficiente! 

Passarinha nos toca de uma maneira incrível, uma menininha de apenas 10 anos!


"Certo querida?
Papai tinha continuado a falar mas eu não estava pronta para prestar atenção. O quê?
A vida é especial.
Quer dizer... que não sou só eu que sou especial? Tudo na vida é ?
Isso mesmo.
Acho que a boa notícia é que todo mundo vai ter que aguentar ser especial porque todo mundo está vivo." (p.197)

Eu tenho uma queda por esses livros que parecem ter historias bobas, mas na verdade são maravilhosos. 

Alguns de vocês podem pensar: “ é só um livro de criança!” 

E eu digo: “É um livro de criança!!! (esqueçam o “só” pejorativo).

Crianças são puras, fascinantes, encantadoras... 

E quantas coisas não aprendemos com elas? São as melhores lições.

Um livro para ler, reler (já li 2 vezes), indicar e fazer campanha para que seja lido.

Passarinha nos faz rir e nos emocionar com tanta sensibilidade.

E pra terminar, concordo com Jim Trelease (que eu nem sei quem é):

"Esse livro vai agarrar você pelo coração e pelo pescoço, lhe dar uma boa sacudida, e deixá-lo torecendo pela alma humana. Se não se tornar um clássico, há algo de errado com todos nós."



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domingo, 12 de abril de 2015

[TRASH]



Título: Trash
Autor: Andy Mulligan
Editora: Cosac Naify
Ano de publicação: 2013
Páginas: 224





Sinopse
Raphael, Gardo e Rato são adolescentes que vivem e trabalham num lixão. A ocupação deles é revirar o lixo em busca de plástico e papel, de onde tiram o sustento da família. Dia após dia, sabem exatamente o que encontrarão: barro e mais barro. Ainda assim, sempre esperam por algo surpreendente, que altere essa difícil realidade. Até que eles enfim tem um dia de sorte – mas o bilhete premiado se mostra muito mais perigoso do que parecia.

Todo leitor tem na sua wishlist um livro que fica meio esquecido. O nome dele está lá, você quer muito ler aquela história, mas sempre vêm outros lançamentos e ele acaba ficando para trás.

Pois então. “Trash” era o renegado da minha lista de desejados. Até que veio o meu aniversário e eu ganhei o livro. Amigos que dão livros de presentes... Melhores pessoas!



“Trash” nos apresenta a Raphael, Gardo e Rato: três amigos que moram e trabalham no lixão de Behala, num país não especificado. É de lá que eles tiram o sustento, procurando por papel, plástico, metal e borracha para serem vendidos. Mas como dizem, você nunca sabe o que pode encontrar mexendo no lixo...

E um dia Raphael acaba encontrando uma bolsa. Dentro dela, uma carteira com documentos, um mapa da cidade, uma chave com um número, uma fotografia e dinheiro. Muito dinheiro. Raphael conta tudo a Gardo, seu melhor amigo e protetor naquele lugar.

No dia seguinte, alguns policiais aparecem no lixão oferecendo uma recompensa para quem encontrar a bolsa. Os dois não acreditam muito naquela história e decidem esconder os objetos na casa de Rato, um menino que vive isolado nos esgotos de Behala. Mas um dos policiais percebe que os garotos sabem de alguma coisa.

“A gente não sabia a encrenca em que tinha entrado. Nenhum dos dois se deu conta de que, quando a polícia acha que você tem alguma coisa, não vai parar até arrancar aquilo de você”. (p. 39)
“Eu fui idiota. Neste país, você paga o preço pela sua idiotice, assim como por ser pobre”. (p. 108)

Com a chave certa, você pode escancarar a porta. E Rato sabe exatamente qual porta aquela chave abre. Os garotos então partem para investigar e descobrir o significado de tudo aquilo.

A partir daí, se veem envolvidos numa trama intrincada envolvendo políticos poderosos e policiais corruptos. Uma trama perigosa que pode acabar mal para os três amigos.


Narrado em primeira pessoa, o livro tem capítulos alternando o ponto de vista de Raphael, Gardo, Rato e outros personagens. Aliás, os personagens são o grande trunfo de “Trash”. Eles são extremamente bem construídos e desenvolvidos no decorrer da história. 

Outro ponto alto é a escrita de Andy Mulligan. É ágil, frenética, quase como um roteiro de cinema. A leitura é um virar de páginas acelerado para descobrir como tudo vai terminar. E quando o desfecho chega, a gente está com saudade de Raphael, Gardo e Rato, ansiosos por uma última peripécia do grupo.

“Aprendi mais do que seria possível aprender em qualquer faculdade. Aprendi que o mundo gira em torno de dinheiro. Há valores, virtudes e morais; há relacionamentos, confiança e amor – tudo isso importa. No entanto, o dinheiro é mais importante, e pinga o tempo todo, como se fosse água. Alguns bebem muito dessa água; outros passam sede”. (p. 137)
“Quem se importa, afinal de contas? Quem se importa quem fez o quê, quando o legal é que fizemos tudo juntos?” (p. 197)

Publicado como um infanto-juvenil, o livro é uma aventura constante e ao mesmo tempo um soco no estômago, repleto de críticas à sociedade moderna, aos governos corruptos e às diferenças sociais.

Apesar dessa enxurrada de temas difíceis, “Trash” é uma leitura leve e agradável, e que, ao chegar no final, deixa uma mensagem de que o bem sempre vence o mal de alguma forma, e uma sensação de fé e esperança naquilo que as pessoas tem te melhor.


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domingo, 29 de março de 2015

[JOGADOR NÚMERO 1]



Título: Jogador número 1
Autor: Ernest Cline
Editora: Leya
Ano de publicação: 2012
Páginas: 462



Sinopse

Em um futuro não muito distante, da sua miséria em OASIS. Mas ter achado a primeira pista para o tesouro deixou as pessoas abriram mão da vida real para viver em uma plataforma chamada OASIS. Neste mundo distópico, pistas são deixadas pelo criador do programa e quem achá-las herdará toda a sua fortuna. Como a maior parte da humanidade, o jovem Wade Watts escapa a sua vida bastante complicada. De repente, parece que o mundo inteiro acompanha seus passos, e outros competidores se juntam à caçada. Só ele sabe onde encontrar as outras pistas: filmes, séries e músicas de uma época que o mundo era um lugar bom para viver. Para Wade, o que resta é vencer – pois esta é a única chance de sobrevivência.


A história de “Jogador nº 1” se passa em 2045, num mundo caótico marcado pela crise de energia, mudanças climáticas catastróficas, fome, pobreza, doenças e guerras.

Como válvula de escape dessa realidade nada agradável, a maioria das pessoas passa grande parte do dia conectada ao OASIS, uma utopia virtual onde elas podem ser o que quiserem (de uma versão melhorada da sua aparência real, até um mago ou elfo saído direto da Terra Média). Conectados à plataforma, os usuários estudam, trabalham e vivem aventuras em qualquer um de seus milhares de planetas.



O criador do OASIS é James Halliday, um fanático da cultura pop dos anos 1980. No dia da sua morte, Halliday divulga o Convite de Anorak, uma mensagem em vídeo onde ele revela que escondeu três chaves dentro do OASIS. O primeiro que encontrá-las herdará toda a sua fortuna e um enorme poder, mas para isso terá que desvendar uma série de enigmas baseados nas músicas, filmes, seriados e jogos do fim do século XX.

Cinco anos se passaram desde o início da caça ao tesouro. Ninguém encontrou nada e alguns começam a duvidar da sua existência. Até que o jovem Wade Watts desvenda o primeiro enigma. A caçada toma um novo fôlego e outros jogadores começam a busca. Jogadores mais poderosos e dispostos a fazer qualquer coisa pelo prêmio. Então, Wade precisa correr contra o tempo e vencer, pois essa é a única maneira dele sobreviver.


Não vivi na década de 1980 e nem sou um nerd apaixonado por videogames (apesar de dizerem que pareço um). Logo, “Jogador nº 1” não seria o livro ideal para mim, certo?

Errado! Apesar de não conhecer cerca de 70% das coisas que o livro faz referência, a leitura e o entendimento da história em nada foram prejudicados. Até porque, muitas vezes, o autor explica o que são aqueles jogos, músicas, filmes e seriados de televisão.

Dividido em três partes, “Jogador nº 1” é narrado em primeira pessoa. O tempo todo acompanhamos a história pelos olhos de Wade (ou Parzival, seu avatar no OASIS), um personagem engraçado, impetuoso, sagaz e extremamente carismático. Aliás, esse é um dos pontos fortes do livro. Todos os personagens são bem construídos e desenvolvidos ao longo da história. A empatia com Wade, Aech e Art3mis é imediata.


“Havíamos nascido em um mundo feio e o OASIS era o nosso refúgio de felicidade .” (p. 48)

“O OASIS permite que você seja quem quiser. Por isso todo mundo é viciado nele.” (p. 217)

“Criei o OASIS porque nunca me senti à vontade no mundo real. Eu não sabia como me relacionar com as pessoas. Senti medo durante toda a minha vida. Até eu sabe que estava terminando. Foi quando eu percebi que, por mais assustadora e dolorosa que a realidade possa ser, é também o único lugar onde se pode encontrar felicidade de verdade. Porque a realidade é real.” (p. 451)

A trama que o livro apresenta também é bastante original e criativa. A paixão do autor pela década de 1980 transborda pelo texto ágil e bem escrito, tornando a leitura rápida e prazerosa. Posso até dizer que foi uma das melhores leituras que fiz esse ano (até agora). Não por ser uma obra prima ou trazer profundas reflexões. Pelo contrário. É um livro despretensioso e inteligentemente encantador.

“Jogador nº 1” é uma divertida ode aos anos 1980; uma homenagem ao estilo nerd/geek. Mas acima de tudo, é um a boa história e muito bem contada.


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