Título:
O guardião de memórias
Autora: Kim Edwards
Editora:
Arqueiro
Ano
de publicação: 2008
Páginas:
319
Sinopse
Inverno
de 1964. Uma violenta tempestade de neve obriga o Dr. David Henry a fazer o
parto de seus filhos gêmeos. O menino, primeiro a nascer, é perfeitamente
saudável, mas o médico logo reconhece na menina sinais da síndrome de Down.
Guiado por um impulso irrefreável e por dolorosas lembranças do passado, Dr.
Henry toma uma decisão que mudará para sempre a vida de todos e o assombrará
até a morte: ele pede que sua enfermeira, Caroline, entregue a criança para
adoção e diz à esposa que a menina não sobreviveu. Tocada pela fragilidade do
bebê, Caroline decide sair da cidade e criar Phoebe como sua própria filha. E
Norah, a mãe, jamais consegue se recuperar do imenso vazio causado pela
ausência da menina. A partir daí, uma intrincada trama de segredos, mentiras e
traições se desenrola, abrindo feridas que nem o tempo será capaz de curar.
Dr.
David Henry é um excelente médico ortopedista. Trata muito bem seus pacientes. Chegando
a trabalhar até mais tarde para atender os que não podem pagar por uma
consulta.
Ao conhecer sua futura esposa, 11 anos mais
jovem, ele não poderia imaginar como suas vidas iriam mudar.
“Ele tinha 33 anos e era novo em Lexington, no Kentucky, e a moça havia emergido da multidão como uma espécie de visão, com o cabelo louro penteado para trás e preso num coque elegante, perolas reluzindo no pescoço e nas orelhas.” (p.8).
David e Norah esperavam ter apenas um
filho, mas tiveram gêmeos. Paul e Phoebe. Paul é um bebê considerado
“perfeito”. Phoebe tem Síndrome de Down. Tomado por um instinto de "proteção",
relembrando dores do passado, David resolve que Phoebe deverá viver em uma casa
que cuida de crianças especiais, pedindo a Caroline Gill, a enfermeira que o
ajudou no parto de Norah, que a entregue no lugar. Norah passa a vida
acreditando que sua filha morreu durante o parto.
“Gêmeos fraternos, masculino e feminino, um visivelmente perfeito, a outra marcada por um cromossomo extra em cada célula do corpo. Que probabilidade havia de acontecer uma coisa dessas?” (p.19).
O livro gira em torno de duas escolhas:
a de David e a de Caroline. Ao escolher dar sua filha com Síndrome de Down,
achando que estaria protegendo sua esposa de uma dor que ele mesmo sofreu no
passado, David provocou um “buraco” em sua família que jamais poderia ser
preenchido. Caroline, uma mulher sozinha no mundo que, na década de 60,
resolve enfrentar toda a sociedade para garantir o direito a educação pública
de uma criança considerada mentalmente
retardada, mongoloide... e que não é sua filha de sangue, mas que conquistou o
seu coração e mudou a sua vida.
Ao passar dos anos, a ausência de
Phoebe, a filha que nunca esteve presente de fato, acaba se transformando em um
abismo entre David, Norah e Paul. David não consegue se perdoar pela sua
mentira, se isolando na câmara escura; Norah sente falta da filha que nunca
segurou no colo e acha que David não se importa com essa perda, se tornando uma
mulher independente que tem casos extraconjugais; e Paul, o filho escolhido por
ser “perfeito”, se torna um adolescente rebelde que adora música e não entende
a relação dos pais.
“David tirou a foto do revelador, mas não a mergulhou no fixador. Em vez disso, foi até a ante-sala e ficou parado ao luar, com a fotografia molhada na mão, olhando para sua casa agora às escuras, com Paul e Norah lá dentro, sonhando seus sonhos particulares, movendo-se em suas próprias órbitas, com suas vidas constantemente moldadas pela gravidade da escolha que David fizera anos antes.”(164)
A história é bonita (se parecendo um pouco com uma novela global) e vale a pena ser lida, mas não me fez devorar o livro.
A autora começa muito bem, mostrando detalhes importantes para
que o leitor possa entender a relação entre David e Norah. Mas ao longo do
livro, a narração detalhada de fatos que não acrescentam muito, acaba tornando
a leitura cansativa e o livro não consegue prender a atenção.
O final também não é nada empolgante (desculpaê).
Apesar disso, ele nos faz refletir a
cerca do poder das nossas escolhas.
Fiquei pensando como somos culpados e ao
mesmo tempo vítimas delas, assim como David.
Como fazemos escolhas que envolvem a vida de outras
pessoas, muitas vezes segundo o nosso ponto de vista, segundo o nosso modo de
julgar o certo e o errado, o bem e o mal, o melhor ou o pior... sem pensar que o outro também tem o
seu direito de escolha.
Então vamos pensar bem antes de fazer nossas escolhas,
pois o nosso futuro depende delas!
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