domingo, 29 de março de 2015

[JOGADOR NÚMERO 1]



Título: Jogador número 1
Autor: Ernest Cline
Editora: Leya
Ano de publicação: 2012
Páginas: 462



Sinopse

Em um futuro não muito distante, da sua miséria em OASIS. Mas ter achado a primeira pista para o tesouro deixou as pessoas abriram mão da vida real para viver em uma plataforma chamada OASIS. Neste mundo distópico, pistas são deixadas pelo criador do programa e quem achá-las herdará toda a sua fortuna. Como a maior parte da humanidade, o jovem Wade Watts escapa a sua vida bastante complicada. De repente, parece que o mundo inteiro acompanha seus passos, e outros competidores se juntam à caçada. Só ele sabe onde encontrar as outras pistas: filmes, séries e músicas de uma época que o mundo era um lugar bom para viver. Para Wade, o que resta é vencer – pois esta é a única chance de sobrevivência.


A história de “Jogador nº 1” se passa em 2045, num mundo caótico marcado pela crise de energia, mudanças climáticas catastróficas, fome, pobreza, doenças e guerras.

Como válvula de escape dessa realidade nada agradável, a maioria das pessoas passa grande parte do dia conectada ao OASIS, uma utopia virtual onde elas podem ser o que quiserem (de uma versão melhorada da sua aparência real, até um mago ou elfo saído direto da Terra Média). Conectados à plataforma, os usuários estudam, trabalham e vivem aventuras em qualquer um de seus milhares de planetas.



O criador do OASIS é James Halliday, um fanático da cultura pop dos anos 1980. No dia da sua morte, Halliday divulga o Convite de Anorak, uma mensagem em vídeo onde ele revela que escondeu três chaves dentro do OASIS. O primeiro que encontrá-las herdará toda a sua fortuna e um enorme poder, mas para isso terá que desvendar uma série de enigmas baseados nas músicas, filmes, seriados e jogos do fim do século XX.

Cinco anos se passaram desde o início da caça ao tesouro. Ninguém encontrou nada e alguns começam a duvidar da sua existência. Até que o jovem Wade Watts desvenda o primeiro enigma. A caçada toma um novo fôlego e outros jogadores começam a busca. Jogadores mais poderosos e dispostos a fazer qualquer coisa pelo prêmio. Então, Wade precisa correr contra o tempo e vencer, pois essa é a única maneira dele sobreviver.


Não vivi na década de 1980 e nem sou um nerd apaixonado por videogames (apesar de dizerem que pareço um). Logo, “Jogador nº 1” não seria o livro ideal para mim, certo?

Errado! Apesar de não conhecer cerca de 70% das coisas que o livro faz referência, a leitura e o entendimento da história em nada foram prejudicados. Até porque, muitas vezes, o autor explica o que são aqueles jogos, músicas, filmes e seriados de televisão.

Dividido em três partes, “Jogador nº 1” é narrado em primeira pessoa. O tempo todo acompanhamos a história pelos olhos de Wade (ou Parzival, seu avatar no OASIS), um personagem engraçado, impetuoso, sagaz e extremamente carismático. Aliás, esse é um dos pontos fortes do livro. Todos os personagens são bem construídos e desenvolvidos ao longo da história. A empatia com Wade, Aech e Art3mis é imediata.


“Havíamos nascido em um mundo feio e o OASIS era o nosso refúgio de felicidade .” (p. 48)

“O OASIS permite que você seja quem quiser. Por isso todo mundo é viciado nele.” (p. 217)

“Criei o OASIS porque nunca me senti à vontade no mundo real. Eu não sabia como me relacionar com as pessoas. Senti medo durante toda a minha vida. Até eu sabe que estava terminando. Foi quando eu percebi que, por mais assustadora e dolorosa que a realidade possa ser, é também o único lugar onde se pode encontrar felicidade de verdade. Porque a realidade é real.” (p. 451)

A trama que o livro apresenta também é bastante original e criativa. A paixão do autor pela década de 1980 transborda pelo texto ágil e bem escrito, tornando a leitura rápida e prazerosa. Posso até dizer que foi uma das melhores leituras que fiz esse ano (até agora). Não por ser uma obra prima ou trazer profundas reflexões. Pelo contrário. É um livro despretensioso e inteligentemente encantador.

“Jogador nº 1” é uma divertida ode aos anos 1980; uma homenagem ao estilo nerd/geek. Mas acima de tudo, é um a boa história e muito bem contada.


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domingo, 22 de março de 2015

[O QUE ME FAZ PULAR]



Título: O que me faz pular
Autor: Naoki Higashida
Editora: Intrínseca
Ano de publicação: 2014
Páginas: 190


Sinopse


Naoki Higashida sofre de autismo severo. Com grande dificuldade de se comunicar verbalmente, o jovem aprendeu a se expressar apontando as letras em uma cartela de papelão, e, aos treze anos, realizou um feito extraordinário: escreveu um livro. Delicado, poético e profundamente íntimo, O que me faz pular traz uma nova luz para entendermos a mente autista. O jovem explica o comportamento muitas vezes desconcertante das pessoas com autismo e compartilha conosco suas percepções de tempo, vida, beleza e natureza, apresentadas em um relato e um conto inesquecível.

Em meio às dores de cabeça com o TCC, surge a vontade de abandonar a leitura atual, desobedecer a regra da TBR BOX (To be read box, ou seja, caixa dos livros para serem lidos), resolvi ler “O que me faz pular”, não só pelo fato de mudar de tipo de leitura, mas por ser um livro escrito por um garoto autista.


Com introdução de David Mitchell, pai de um garoto também com autismo. Ele conta que através da palavras de Naoki, pela primeira vez ele sentiu como se o seu filho estivesse falando com eles sobre o que acontece dentro de sua cabeça.


“Um livro, no entanto, vai muito além de fornecer informação: oferece uma prova de que, encerrada no corpo aparentemente incapaz do autista, está uma mente tão curiosa, perspicaz e complexa quanto a sua, a minha e a de qualquer um.” (p.14)

Com a ajuda de sua mãe e de uma professora, Naoki aprendeu a se comunicar e se expressar apontando as letras em um teclado de papelão. E aos 13 anos, acabou escrevendo “O que me faz pular” um livro que é dividido em partes onde ele esclarece perguntas sobre o comportamento de pessoas com autismo, e outras questões que explicam do seu jeito o que acontece na mente de pessoas como ele (autistas). E em contos criados por ele, onde mostra a sua criatividade e habilidade para escrever.

“Não se pode julgar uma pessoa pela aparência. Mas, a partir do momento em que você entende o que acontece dentro do outro, vocês dois podem se tornar bem mais próximos. Do seu ponto de vista, o mundo do autismo deve parecer um lugar extremamente misterioso.” (p.22)

O que muitas vezes achamos que agem de certa forma porque querem, mas não sabemos o que realmente eles pensam. Um exemplo é a comunicação, onde ele diz que conversar é um trabalho muito duro, nem sempre o que é dito é aquilo que pretendia. As coisas para eles não acontecem ao mesmo tempo e na mesma velocidade que acontecem conosco, e para que ele faça as coisas é preciso:


Se for falar das respostas dadas por ele no livro, você pode até ficar sem vontade de lê-lo, então deixarei apenas duas:

“PERGUNTA 25:POR QUE VOCÊ PULA?[...]Mas, quando pulo, é como se meus sentimentos rumasse em direção ao céu. Na verdade, minha necessidade de ser engolido pela imensidão lá em cima é suficiente para estremecer meu coração. Quando estouo pulando, posso sentir melhor as partes do meu corpo – as pernas saltando, as mãos batendo – , e isso me faz muito, muito bem. [...]” (p. 87)

“PERGUNTA 58:QUAIS SÃO SEUS PENSAMENTOS EM RELAÇÃO AO AUTISMO?[...]Mesmo que sejamos fisicamente parecidos com os outros, somos na verdade diferentes de muitas maneiras. Como se fôssemos viajantes que vieram de um passado muito, muito distante. E, se a nossa presença servir para ajudar as outras pessoas a lembrar o que é mesmo importante para a Terra, isso nos dará satisfação interior.”(p. 165)

 

Sabe, “O que me faz pular” nos leva a refletir sobre quão maravilhosa é a nossa vida, é a nossa comunicação, e que deveríamos agradecer todos os dias por isso. Além de tudo, poderemos então entender como as pessoas com autismo se sentem e assim teremos mais paciência com eles, entendendo assim as suas atitudes.

“O que eu devo esperar do futuro se meu autismo nunca puder ser curado? Quando eu era pequeno, essa pergunta era uma tremenda preocupação. Eu tinha medo de, por ser autista, nunca poder viver como um autêntico ser humano. Não poder fazer coisas que eram corriqueiras para os outros e ter que me desculpar o tempo todo minavam minha esperança.” (p.189)


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sexta-feira, 20 de março de 2015

[O ORFANATO DA SRTA. PEREGRINE PARA CRIANÇAS PECULIARES]



Título: O orfanato da Srta. Peregrine para crianças peculiares
Autor: Ransom Riggs
Editora: Leya
Ano de publicação: 2012
Páginas: 335


Sinopse


Nossa história começa com uma horrível tragédia familiar que lança Jacob, um rapaz de 16 anos, em uma jornada até uma ilha remota na costa do País de Gales, onde descobre as ruínas do Orfanato da Srta. Peregrine para crianças peculiares. Enquanto Jacob explora os quartos e corredores abandonados, fica claro que as crianças do orfanato são muito mais do que simplesmente peculiares: elas podem ter sido perigosas e confinadas na ilha deserta por algum motivo... E, de algum modo, por mais impossível que pareça, ainda podem estar vivas.

Que atire a primeira pedra o leitor que nunca comprou um livro pela capa. Ou ainda, aquele que nunca tentou adivinhar a história do livro só em olhar a sua capa. Pois bem... Foi o que aconteceu comigo em “O orfanato da Srta. Peregrine para crianças peculiares”.

Estava eu passeando pela livraria, quando me deparei com aquela capa estranha. Folheei o livro e vi umas fotos bem bizarras. A sinopse falava sobre um orfanato em uma ilha isolada com crianças da década de 1940 que ainda poderiam estar vivas sem ter envelhecido. Logo pensei numa história de fantasmas (meio parecida com aquele filme espanhol chamado “O orfanato”. Aliás, um filme excelente) e me enchi de expectativas. Mas a sábia filosofia de Facebook já dizia:



Pois é! O livro seguiu um rumo totalmente diferente do que eu havia imaginado. Bom ou ruim? Eu diria... peculiar.

Em “O orfanato da Srta. Peregrine para crianças peculiares”, Jacob é um jovem de 16 anos que sempre gostou de ouvir as histórias contadas pelo seu avô, principalmente aquelas sobre a infância dele em um orfanato. Essas histórias eram repletas de aventuras e magia e tinham personagens bem estranhos, como um garoto invisível, uma menina que flutuava, entre outros.

À medida que foi crescendo, Jacob começou a duvidar da veracidade dessas histórias e passou a acreditar que tudo era fruto da mente criativa e perturbada do avô, que viveu os horrores da guerra.



Até que Abraham, avô de Jacob, morre em circunstâncias bem suspeitas e o garoto acredita ter visto uma criatura monstruosa onde o corpo foi encontrado. Então, Jacob parte para a isolada ilha no País de Gales onde ficava o orfanato para tentar desvendar os mistérios acerca da vida do seu avô.

Qualquer coisa que eu fale sobre a história a partir do momento que o protagonista chega ao orfanato será spoiler. Vou parar por aqui. O que posso dizer é que ela toma outra direção. Como disse no início, a capa, a sinopse e as fotos que o livro traz me prepararam para uma história mais sombria. Até existem passagens bem tensas, mas nada tão assustador quanto eu imaginei que seria.

Apesar da “trollagem literária”, o livro apresenta uma história interessante e bem desenvolvida dentro daquilo que o autor propõe, contada em primeira pessoa, sempre da perspectiva de Jacob, um personagem bastante carismático. Aliás, os outros personagens também são bem construídos, principalmente a Srta. Peregrine e as suas crianças peculiares, cada uma com suas características fantásticas.


“Eu tinha acabado de aceitar que minha vida seria apenas comum quando coisas extraordinárias começaram a acontecer comigo. A primeira delas foi um choque terrível, e assim como qualquer coisa que muda você pra sempre, dividiu minha vida em duas partes. Antes e depois. Como muitas das coisas extraordinárias que viriam, ela envolveu meu avô, Abraham Portman .” (p. 8)


“Porque não éramos como as outras pessoas. Éramos peculiares.” (p. 10) 


“Eu costumava sonhar em fugir da minha vida comum, mas minha vida nunca havia sido comum. Simplesmente não conseguira notar como ela era extraordinária.” (p. 331) 

A narrativa do livro é cheia de reviravoltas, mas Ransom Riggs (que tem uma escrita bastante agradável, irreverente e fácil de ler) não deixa pontas soltas e tudo é devidamente explicado. Mesmo que algumas vezes as explicações sejam bizarras demais.

Outro ponto forte são as fotos, que casam perfeitamente com a história e ajudam para criar um clima de total imersão no que está sendo contado. É incrível a experiência de ler a descrição de uma personagem que flutuava e encontrar uma foto dela na página seguinte. E dizem que são fotografias reais... #medo






Enfim, apesar de não ser exatamente o que eu esperava, “O orfanato da Srta. Peregrine para crianças peculiares” me cativou e se revelou uma grata surpresa. Um livro indicado para quem gosta de uma boa história de fantasia com doses de suspense e de um enredo original e criativo.

O livro será adaptado para o cinema em breve, com previsão de estreia para 4 de março de 2016. A adaptação será dirigida por Tim Burton e contará com a presença de Eva Green (Sombras da noite) como a Srta. Peregrine e Asa Butterfield (O menino do pijama listrado, A invenção de Hugo Cabret) como Jacob. Expectativa nas alturas!

Em tempo: “O orfanato da Srta. Peregrine para crianças peculiares” é o romance de estreia de Ransom Riggs e faz parte de uma série. A sua continuação, “Hollow City”, foi publicada lá fora em janeiro de 2014 e teve os direitos de publicação no Brasil adquiridos pela Editora Intrínseca.


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domingo, 15 de março de 2015

[O GUARDIÃO DE MEMÓRIAS]


Título: O guardião de memórias 
Autora: Kim Edwards
Editora: Arqueiro
Ano de publicação: 2008
Páginas: 319






Sinopse

Inverno de 1964. Uma violenta tempestade de neve obriga o Dr. David Henry a fazer o parto de seus filhos gêmeos. O menino, primeiro a nascer, é perfeitamente saudável, mas o médico logo reconhece na menina sinais da síndrome de Down. Guiado por um impulso irrefreável e por dolorosas lembranças do passado, Dr. Henry toma uma decisão que mudará para sempre a vida de todos e o assombrará até a morte: ele pede que sua enfermeira, Caroline, entregue a criança para adoção e diz à esposa que a menina não sobreviveu. Tocada pela fragilidade do bebê, Caroline decide sair da cidade e criar Phoebe como sua própria filha. E Norah, a mãe, jamais consegue se recuperar do imenso vazio causado pela ausência da menina. A partir daí, uma intrincada trama de segredos, mentiras e traições se desenrola, abrindo feridas que nem o tempo será capaz de curar.




Dr. David Henry é um excelente médico ortopedista. Trata muito bem seus pacientes. Chegando a trabalhar até mais tarde para atender os que não podem pagar por uma consulta. 

Ao conhecer sua futura esposa, 11 anos mais jovem, ele não poderia imaginar como suas vidas iriam mudar. 


“Ele tinha 33 anos e era novo em Lexington, no Kentucky, e a moça havia emergido da multidão como uma espécie de visão, com o cabelo louro penteado para trás e preso num coque elegante, perolas reluzindo no pescoço e nas orelhas.” (p.8).  
  

                                                                                                                                              David e Norah esperavam ter apenas um filho, mas tiveram gêmeos. Paul e Phoebe. Paul é um bebê considerado “perfeito”.  Phoebe tem Síndrome de Down. Tomado por um instinto de "proteção", relembrando dores do passado, David resolve que Phoebe deverá viver em uma casa que cuida de crianças especiais, pedindo a Caroline Gill, a enfermeira que o ajudou no parto de Norah, que a entregue no lugar. Norah passa a vida acreditando que sua filha morreu durante o parto.


“Gêmeos fraternos, masculino e feminino, um visivelmente perfeito, a outra marcada por um cromossomo extra em cada célula do corpo. Que probabilidade havia de acontecer uma coisa dessas?” (p.19). 

                                                                                                                                                        O livro gira em torno de duas escolhas: a de David e a de Caroline.                                                    Ao escolher dar sua filha com Síndrome de Down, achando que estaria protegendo sua esposa de uma dor que ele mesmo sofreu no passado, David provocou um “buraco” em sua família que jamais poderia ser preenchido. Caroline, uma mulher sozinha no mundo que, na década de 60, resolve enfrentar toda a sociedade para garantir o direito a educação pública de uma criança considerada mentalmente retardada, mongoloide... e que não é sua filha de sangue, mas que conquistou o seu coração e mudou a sua vida.                                                                                                                                                                                                                                                                                        
                                                                                                                                                               Ao passar dos anos, a ausência de Phoebe, a filha que nunca esteve presente de fato, acaba se transformando em um abismo entre David, Norah e Paul.                                                                                                                                                                                                                                  David não consegue se perdoar pela sua mentira, se isolando na câmara escura; Norah sente falta da filha que nunca segurou no colo e acha que David não se importa com essa perda, se tornando uma mulher independente que tem casos extraconjugais; e Paul, o filho escolhido por ser “perfeito”, se torna um adolescente rebelde que adora música e não entende a relação dos pais.


“David tirou a foto do revelador, mas não a mergulhou no fixador. Em vez disso, foi até a ante-sala e ficou parado ao luar, com a fotografia molhada na mão, olhando para sua casa agora às escuras, com Paul e Norah lá dentro, sonhando seus sonhos particulares, movendo-se em suas próprias órbitas, com suas vidas constantemente moldadas pela gravidade da escolha que David fizera anos antes.”(164)



A história é bonita (se parecendo um pouco com uma novela global) e vale a pena ser lida, mas não me fez devorar o livro. 
A autora começa muito bem, mostrando detalhes importantes para que o leitor possa entender a relação entre David e Norah. Mas ao longo do livro, a narração detalhada de fatos que não acrescentam muito, acaba tornando a leitura cansativa e o livro não consegue prender a atenção.

O final também não é nada empolgante (desculpaê).

Apesar disso, ele nos faz refletir a cerca do poder das nossas escolhas

Fiquei pensando como somos culpados e ao mesmo tempo vítimas delas, assim como David.
Como fazemos escolhas que envolvem a vida de outras pessoas, muitas vezes segundo o nosso ponto de vista, segundo o nosso modo de julgar o certo e o errado, o bem e o mal, o melhor ou o pior... sem pensar que o outro também tem o seu direito de escolha. 

Então vamos pensar bem antes de fazer nossas escolhas, pois o nosso futuro depende delas!



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domingo, 8 de março de 2015

[MENINO DE OURO]


Título: Menino de ouro
Autor: Abigail Tarttelin
Editora: Globo Livros
Ano de publicação: 2013
Páginas: 382



Sinopse
A família de Max não permitiria nenhum desvio na imagem perfeita que havia construído. Karen, a mãe, é uma advogada renomada, determinada a manter a fachada de boa mãe, esposa e profissional. Steve, o pai, é o exemplo do chefe de família presente em sua comunidade, favorito a um importante cargo público. O ponto fora da curva é Daniel, o caçula, que, para os padrões da família Walker, é “estranho”: não é carinhoso, inteligente ou perfeito como Max. Melhor aluno da escola, capitão do time de futebol, atlético, simpático, sucesso entre as garotas: Max, o primogênito, é o menino de ouro. Ninguém poderia dizer que sua vida não é perfeitamente normal. Ninguém poderia dizer que Max esconde um segredo.


Em “Menino de ouro”, somos apresentados à história de Max, um adolescente prestes a completar 16 anos que é considerado o menino perfeito. É inteligente, sensível, bonito e educado. Mas Max tem um segredo guardado a sete chaves por ele e sua família. Ele nasceu com o cariótipo 46,xx/46,xy. Isso significa que Max é intersexual (e isso não é um spoiler porque está logo na sinopse do livro).




Nessa condição, Max não é menino nem menina. Ele possui tanto o órgão sexual masculino quanto o feminino. No entanto, foi criado (e se identifica) como um rapaz. 

Apesar disso, o garoto leva uma vida como qualquer outro adolescente dessa idade. Até o dia em que acontece uma coisa horrível, inimaginável. Um fato que vai mudar drasticamente, e para sempre, a vida de Max e da sua família “perfeita”, levando-o a uma jornada em busca da sua identidade e da aceitação.




O livro é dividido em três partes e em cada uma delas acontece alguma coisa inesperada que vai mudar todo o rumo da história. O primeiro desses fatos se dá logo no início do livro (páginas 20-21) e é uma das passagens mais chocantes, tensas e tristes que já li até hoje. De verdade. É desesperador.


"É quando o choque se dissipa, e eu percebo o que está por vir. Parece que se leva muito tempo para compreender a situação. Quero dizer, coisas como essa nunca acontecem. Elas acontecem com outras pessoas, mas não com você, não comigo". (p. 21)


Escrito em primeira pessoa, o livro é narrado por seis personagens: Max, o menino de ouro; Karen e Steve, os pais protetores; Daniel, o irmão caçula, mas que tem uma inteligência e percepção incríveis; Archie, a nova médica de Max; e Sylvie, uma amiga do colégio por quem Max está interessado.

Pode parecer confusa uma história com tantos narradores, mas isso acaba se revelando um poderoso aliado que nos dá diferentes perspectivas de todas as coisas que acontecem. E não são poucas. É uma sucessão de acontecimentos e reviravoltas que faz de “Menino de ouro” uma montanha russa de emoções.
Tudo isso é mérito da autora, a inglesa Abigail Tarttelin, que tinha apenas 23 anos quando escreveu o livro. E como essa moça escreve absurdamente bem. Um ritmo ágil, fluido, objetivo e ousado. É perceptível também como ela cria personalidades consistentes para cada personagem/narrador e como muda a narrativa nas passagens de cada um deles.


“Tudo o que eu queria era ser perfeito. Parece um desejo ambicioso, mas perfeito quer dizer brando, inofensivo, agradável. Eu queria outras coisas também. Eu queria me destacar, ser inteligente, ser legal, mas tentei tanto ser todas essas coisas que não foi como se estivesse pedindo nada para ninguém. O que eu queria mesmo era ser algo mais que a soma das minhas partes masculinas e femininas.” (p. 329)


Enfim, “Menino de ouro” é um livro que nos tira da nossa zona de conforto, que incomoda profundamente e que nos faz pensar. Pensar nas convenções, no que é ser normal. Mas quem disse que ser diferente não é normal? E quem determina o que pode ser considerado diferente? Até que ponto vai a nossa aceitação e a aceitação em relação ao outro? Foram vários os questionamentos que ficaram martelando no meu juízo depois que terminei de ler a história de Max. “Menino de ouro” nos faz refletir sobre um monte de assuntos sérios e controversos, mas que são abordados de maneira sensível e emocionante.

Um livro inesquecível.


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domingo, 1 de março de 2015

[EXTRAORDINÁRIO]


Título: Extraordinário
Autora: R. J. Palacio
Editora: Intrínseca
Ano de publicação: 2013
Páginas: 318



Sinopse

August Pullman, o Auggie, nasceu com uma síndrome genética cuja sequela é uma severa deformidade facial, que lhe impôs diversas cirurgias e complicações médicas. Por isso, ele nunca havia frequentado uma escola de verdade... até agora. Todo mundo sabe que é difícil ser um aluno novo, mais ainda quando se tem um rosto tão diferente. Prestes a começar o quinto ano em um colégio particular de Nova York, Auggie tem uma missão nada fácil pela frente: convencer os colegas de que, apesar da aparência incomum, ele é um menino igual a todos os outros.




A princípio, não me sentia interessada para ler esse “TAL EXTRAORDINÁRIO”, mas por livre e espontânea pressão dos colegas de blog, aceitei o desafio e agradeço a eles por terem me forçado a isso, pois “O EXTRAORDINÁRIO” é um livro que nos leva a pensar nos desafios, e que eles podem ser nada em relação ao de outras pessoas, e que essas os enfrentam sempre de cabeça erguida.

August é uma criança comum de dez anos, nem tão comum se analisarmos sua aparência. Ele possui um tipo de “disostose bucomaxilofacial previamente desconhecida causada pela mutação de um autossomo recessivo no gene TCOF1, localizado no cromossomo 5, complicada por uma microssomia hemifacial característica do epectro óculo-aurículo-vertebral”. A história de Auggie é contada por algumas pessoas que o rodeiam.


“Quer dizer, é claro que faço coisas comuns. Tomo sorvete. Ando de bicicleta. Jogo bola. Tenho um Xbox. Essas coisas me fazem ser comum. Por dentro. Mas sei que as crianças comuns não fazem outras crianças comuns saírem correndo e gritando do parquinho. Sei que os outros não ficam encarando as crianças comuns aonde quer que elas vão.” (p.11)  

Depois de estudar toda sua vida em casa, ele vai para a escola normal. A princípio, o Sr. Buzanfa (Diretor do Ensino Fundamental II, da Escola Beecher Prep) pediu para alguns alunos serem legais com ele, pois sabia a dificuldade que teria para conseguir amigos.
A princípio, apenas dois continuam seguindo isso, Jack Will e Charlotte), apesar de que para os outros acaba mostrando que faz isso porque foi “obrigado” (Jack). E uma outra menina, a Summer, que se aproxima dele no horário do almoço, começando a sentar na mesa dele diariamente.
Os outros, o tratavam como a praga, igual em “Diário de um banana” o toque do queijo, diziam que se tocassem nele seriam contaminados, mas ainda tinham certeza do que acontecia com quem pegasse a praga.


“Parece que um ‘jogo’ está rolando desde o início do ano. Qualquer um que encoste nele por acidente tem apenas trinta segundos para lavar as mãos ou passar um antisséptico antes de pegar a praga.” (p.128)


Um tempo depois Jack começa a ser amigo dele de verdade, sem ser forçado. O que faz com que os outros garotos deixem de falar com ele também. Será que por ter sido contaminado pela “praga”? Mas em um retiro da escola é que há uma reviravolta. Após se envolverem em uma briga, com crianças maiores de outra escola, ele acaba sendo defendido por três meninos que não faziam parte do “grupo deles”. E a partir daí Auggie começou a ser chamado de “carinha” e assim seu grupo começou a aumentar.

E em sua formatura de quinto ano, ele já conversa com todos da turma. O que para ele foi uma tremenda evolução. Quem de início, só possuía um amigo, que morava em outra cidade, agora já tinha vários.
Agora eu posso dizer, o Auggie é verdadeiramente EXTRAORDINÁRIO, cheio de força, coragem, caráter, inteligência e cativante. Apesar de tudo o que enfrentou, conseguiu superar, fazendo receber um prêmio pela sua grandeza.

“Grande é aquele cuja força conquista mais corações pela atração do próprio coração” (p.306)

“Toda pessoa deveria ser aplaudida de pé pelo menos uma vez na vida, porque todos nós vencemos o mundo. – Auggie” (p.313)


Agora é minha vez, eu indico para qualquer um, leiam o Extraordinário. Pois assim como me fez ver as coisas de modo diferente, poderá te fazer ver também!


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