domingo, 22 de fevereiro de 2015

[A VIDA EM TONS DE CINZA]

                                                             




Título: A vida em tons de cinza
Autor: Ruta Sepetys
Editora: Arqueiro
Ano de publicação: 2011
Páginas: 240




Sinopse


1941. A União Soviética anexa os países bálticos. Desde então, a história de horror vivida por aqueles povos raras vezes foi contada. Aos 15 anos, Lina Vilkas vê seu sonho de estudar artes e sua liberdade serem brutalmente ceifados. Filha de um professor universitário lituano, ela é deportada com a mãe e o irmão para um campo de trabalho forçado na Sibéria. Lá, passam fome, enfrentam doenças, são humilhados e violentados. Mas a família de Lina se mostra mais forte do que tudo isso. Sua mãe, que sabe falar russo, se revela uma grande líder, sempre demonstrando uma infinita compaixão por todos e conseguindo fazer com que as pessoas trabalhem em equipe. No entanto, aquele ainda não seria seu destino final. Mais tarde, Lina e sua família, assim como muitas outras pessoas com quem estabeleceram laços estreitos, são mandadas, literalmente, para o fim do mundo: um lugar perdido no Círculo Polar Ártico, onde o frio é implacável, a noite dura 180 dias e o amor e a esperança talvez não sejam suficientes para mantê-los vivos.


"A vida em tons de cinza" conta a historia de Lina, uma menina lituana que foi arrancada de casa, pela polícia soviética, junto com a mãe (Elena) e o irmão (Jonas). 

Elena, já sabendo que isso poderia acontecer, havia costurado alguns objetos de valor em um sobretudo - estes objetivos serviriam para salvar suas vidas algumas vezes. 

Eles foram jogados em um vagão de trem com mais 46 pessoas em condições subumanas sem saber qual seria o destino.

“Bati a porta e olhei meu rosto no espelho. Não fazia ideia de quão rapidamente ele iria mudar, perder o viço. Se fizesse, teria encarado meu reflexo para gravá-lo na memória. Era a última vez que eu iria me olhar num espelho por mais de uma década.” (p.17)


“Vocês algum dia já pensaram em quanto vale a vida de uma pessoa? Naquela manhã, a vida do meu irmão custou um relógio de bolso.” (p.27)

Após 42 dias de viagem, chegam ao campo de trabalho de Altai. Alojados em cabanas, que já possuem donos, eles “pagam” para morar nelas, com cigarro, batata, beterraba, pedaços de madeira, qualquer coisa que conseguissem. 

São escravizados, por mais de 12 horas por dia, em troca de pedaços de pão. Para comerem alguma coisa, além do pão, têm que roubar.
 

“Enjoada, deixei escapar um arquejo. Mamãe virou a cabeça para mim com um movimento brusco . Ele me segurou pelos braços e os colocou contra as laterais do meu corpo. Olhou-me dos pés a cabeça e sorriu. Então estendeu a mão e apalpou meu seio. Senti suas unhas mal cortadas arranharem minha pele.” (p.75)


O livro é narrado por Lina e intercala momentos do presente com as lembranças de um passado feliz. É dividido em três partes: ladrões e prostitutas, conta a viagem até o campo de Altai; mapas e serpentes, conta os dias que passaram em Altai; e a última e mais triste de todas, gelo e cinzas, nessa parte, vocês vão descobrir o porquê do cinza. 

Após 306 dias vivendo em um inferno e achando que as coisas não poderiam ficar piores, elas ficaram. Alguns grupos de pessoas embarcaram novamente para outro destino, o Circulo Polar Ártico. 

E a história só estava começando...


“As crianças pequenas começaram a morrer. Mamãe levou sua ração de comida para um menino faminto. Ele já estava morto, com a minúscula mãozinha estendida a espera de um pedaço de pão... Disenteria, tifo e escorbuto iam se espalhando pelo campo. Piolhos se banqueteavam em nossas feridas abertas..” (p.214)

Comprei esse livro pela capa, nunca tinha ouvido falar nele. 

Gente... Chega a doer a leitura desse livro.


Primeiro dá uma vontade de pegar aquelas pessoas e colocar no colo, abraçar, colocar debaixo de uma coberta bem quentinha. 


Depois dá vontade de gritar aos quatro cantos, onde todo mundo estava quando essas atrocidades aconteceram? 


Claro que não vivo no mundo de Alice (no país das maravilhas) e sei que muitas atrocidades aconteceram e acontecem (infelizmente), mas não doe menos por isso.


Esse não é só um livro maravilhosoindescritívelinesquecível (me falta adjetivos!) ..., é o grito de um povo esquecido. Os países bálticos, Lituânia, Estônia e Letônia perderam mais de um terço da sua população durante o genocídio soviético.

 A autora dessa maravilha é Ruta Sepetys. Filha de Lituano, ela começou a conhecer o passado do seu povo, ao perceber que não havia fotos dos seus avós paternos. 


A partir daí, entra em uma jornada de pesquisa, entrevistas, viagens, chegando a passar algum tempo em uma prisão soviética, para tentar descrever um pouco dessa história no seu primeiro livro.




Quem quiser saber um pouco mais dessa história, (além de ler o livro, é claro!) pode acessar o site da editora (http://www.editoraarqueiro.com.br/livros/ver/139). Lá vocês vão encontrar uma entrevista com essa escritora maravilhosa, além de um vídeo feito com alguns sobreviventes. 


Leia o livro, indique para algum amigo, conte essa história a todos que puder. Não deixe que atrocidades como essa fiquem esquecidas.



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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Desafio literário

Olá pessoas! Hoje vou responder um desafio proposto pelo pessoal do instagram @recanto_dos_livros que consiste em postar algumas fotos de acordo com alguns tópicos. Sigam-me os bons!

1. Marcadores favoritos


Esse foi o meu primeiro marcador de livros (antes dele eu ainda dobrava a ponta das páginas... #MeJulguem). Ganhei ao fazer uma compra na Siciliano, uma livraria que nem existe mais. Foi comprada pela Saraiva. Enfim, gosto muito dele mas não uso mais. Já tá bem frágil. Fica guardado na minha caixa com outros marcadores.

2. Trilogia/saga favorita



Jogos vorazes foi uma trilogia que me marcou muito. Foram os primeiros livros sobre distopia que eu li e fiquei completamente apaixonado pelo gênero. Sou tributo assumido! Mas...


... não poderia deixar de fazer uma menção honrosa à Harry Potter. Confesso que só comecei a ler os livros da série depois de velho, mas é como voltar a ser criança. Leitura obrigatória!

3. Arco-íris literário


Vermelho: Extraordinário           Laranja: Perdido em Marte           Amarelo: A menina que tinha dons
        Verde: A rainha do castelo de ar                                      Azul: O menino do pijama listrado
 Anil: As estranhas e belas mágoas de Ava Lavender    Roxo: Harry Potter e o prisioneiro de Azkaban

4. Primeiro livro que leu


Não tenho certeza se esse foi realmente o primeiro livro que li, mas é um dos primeiros livros que tenho lembrança de ter lido sozinho para um trabalho de escola aos 7 anos. Ps.: Foto da internet porque o meu exemplar está na casa dos meu pais.

5. Último livro que leu


Há alguns dias terminei de ler Revivente, de Ken Grimwood. Que livro incrível! Uma ótima pedida para quem curte viagens no tempo no estilo do filme "Efeito borboleta". Em breve tem resenha!

6. Leitura atual


Estou simplesmente DESMAIADO com este livro. Joe Hill superou todas as minha expectativas com essa história. Completamente viciante. E apavorante!

7. Última compra


Confesso que comprei pela capa. Adorava esses tijolinhos! Mas depois li a sinopse e parece ser bem bacana. Já é considerado o novo A culpa é das estrelas. Forninhos cairão!

8. Livro que te fez chorar


Uma das melhores histórias que eu já li. Em breve tem resenha por aqui. #SofriChoreiLargado

9. Livros azuis


                             O menino do pijama listrado                                   A esperança
                             Como viver eternamente                                         A culpa é das estrelas 

10. Sua estante


A pessoa que vos fala não tem uma estante propriamente dita, só uma prateleira que não cabe mais nada. Dessa forma, tem livros espalhados por todo o meu quarto:


Aceito doações de estantes. E de livros, é claro. Contatos por e-mail. ;)

11. Autor favorito


Essa pergunta foi extremamente difícil. Me senti numa "piriguetagem" literária das grandes. Mas recentemente conheci a escrita de Stephen King e ele é o queridinho do momento.

12. Pior livro que já leu


Um dia o papel que foi gasto para fazer esse livro fará falta... Só digo isso.

13. Capa feia


Não é que a capa seja exatamente feia, mas muito raramente eu gosto de capas que tem rostos ou closes. Não funcionou para mim. #Melhore

14. Capa bonita


O que dizer dessa capa? Desse livro? Muito amor envolvido!

15. Livro que virou filme


Esse livro deu origem ao filme "Tão forte e tão perto", lançado em 2012 e que tem no elenco Tom Hanks e Sandra Bullock. Uma história super emocionante e vale a pena conferir as duas obras. O filme foi indicado ao Oscar de Melhor Filme naquele ano.


segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

[SOB A REDOMA]


Título: Sob a redoma
Autor: Stephen King
Editora: Suma de letras
Ano de publicação: 2012
Páginas: 954




Sinopse


Era um dia como outro qualquer na cidade de Chester’s Mill, no Maine. Subitamente, a cidade está isolada do resto do mundo por um campo de força invisível. Aviões explodem quando tentam atravessá-lo e pessoas trabalhando em cidades vizinhas são separadas de suas famílias. Ninguém consegue entender o que é esta barreira, de onde ela veio e quando – ou se – ela irá desaparecer. Mas essa não é a única preocupação dos habitantes. O isolamento expõe os medos e as ambições de cada um, até os sentimentos mais reprimidos. Assim, enquanto correm contra o pouco tempo que tem para descobrir a origem da redoma e uma forma de desfazê-la, ainda terão de combater a crueldade humana em sua forma mais primitiva.

Em “Sob a redoma”, conhecemos Chester’s Mill, uma típica cidade do interior do Maine, nos Estados Unidos, que é separada do restante do mundo por uma redoma invisível na manhã tranquila do dia 21 de outubro de um ano não especificado. 

Tudo aquilo que se encontrava na fronteira da cidade no momento em que o campo de força surgiu foi cortado ao meio: animais decepados, pessoas mutiladas, aviões e automóveis que se chocam à barreira.





Dale Barbara, um ex-militar e atual cozinheiro que tentava deixar a cidade no momento em que a redoma caiu por ter se envolvido numa briga com pessoas poderosas, é reintegrado ao serviço militar e promovido à porta-voz entre Mill e o exército dos EUA. 

Essa manobra, no entanto, vai de encontro aos planos de Big Jim Rennie, um político dissimulado que vê na redoma uma forma de dominar a cidade. Insatisfeito com a perda de autoridade, Rennie começa a maquinar algumas ações contra Barbara e instaura o pânico geral entre os moradores. 

É nesse momento que um grupo improvável composto por uma jornalista, um médico, alguns policiais, três crianças destemidas e outros poucos habitantes vai se juntar a Dale para impedir que o caos se espalhe. No entanto, presos sob a redoma, os seus instintos mais primordiais são trazidos à tona, tanto para o bem quanto para o mal.





Antes de tudo, alguns fatos:

  1. Não se assustem com as quase 1.000 páginas do livro e o incrível peso de 1,2kg. A história é tão surpreendente e tão bem contada que a leitura flui num ritmo ágil, quase frenético. Muito provavelmente você ficará ansioso para saber o que acontece na próxima página, e na próxima, e na próxima... 
  2. Apesar de ser um livro de Stephen King, mestre do terror, não se trata de uma obra desse gênero. Mas não se enganem! A predisposição do ser humano de se corromper e se tornar capaz de barbaridades inomináveis é mais assustadora do que qualquer monstro de sete cabeças.
Narrado em terceira pessoa, o livro vai alternando entre o ponto de vista de cada personagem. E são vários. Por vezes, temos até a visão de alguns animais que são relevantes para a história.


“A verdade é que ele gostava da redoma. Não a longo prazo, é claro, mas até que a culpa pelo que fora feito durante a crise pudesse ser repartida pelo máximo possível de pessoas, e o crédito atribuído a uma só, ou seja, ele? Até então, a redoma era uma boa. Big Jim decidiu que se ajoelharia para orar por isso antes de dormir.” (p. 572)

A extensa lista de personagens, no entanto, em nada atrapalha ou confunde o desenrolar da narrativa. Ter os diferentes olhares de cada um deles sobre uma mesma situação traz um entendimento mais profundo e uma riqueza de detalhes absurda. E esses detalhes não entediam ou atrasam a leitura de maneira nenhuma. Pelo contrário. Só torna ainda mais incrível a experiência. 
Stephen King realizou com maestria o trabalho de nos guiar entre os moradores de Chester’s Mill.               
 
Os personagens são muito bem construídos e a empatia entre eles e o leitor é enorme. Os sentimentos nutridos por cada um deles é quase real. Fazia tempo que não sentia tanto ódio por um personagem quanto senti por Jim Rennie, ou torcia para que tudo de melhor acontecesse, como foi o caso de Dale, Julia, Rusty e companhia.





Que Stephen King escreve bem já é fato selado, registrado, carimbado, avaliado e rotulado. E em “Sob a redoma” não é diferente. O texto é ágil e perigosamente cativante. Em uma das minhas passagens favoritas, ele meio que nos pega pela mão e conduz pelas ruas e casas de Chester’s Mill para mostrar o que cada personagem está fazendo uma noite antes de acontecer uma reviravolta na história. É simplesmente incrível.
   
Um dos grandes méritos do livro é não tratar a redoma como grande antagonista. Ela funciona como catalisador para as ações dos personagens. O que vemos aqui é a clássica batalha entre pessoas boas e pessoas más.


“Mas talvez o levasse a refletir (pois, a seu modo, ele era um homem reflexivo) sobre a semelhança entre assassinato e Elma Chips: é impossível parar num só.” (p. 451)

“Porque agora nós somos as formigas e aquilo é a lente de aumento.” (p. 798) 


O livro traz ainda questões que levam o leitor a refletir sobre corrupção, sede de poder, problemas ambientais e ao péssimo hábito dos seres humanos de se considerarem superiores a tudo e a todos.
   
Com um enredo inovador e criativo, “Sob a redoma” é mais que um entretenimento de excelente qualidade; se revela uma crítica sobre a forma como a vida é encarada e, muitas vezes, desrespeitada. Um livro de ações e suas consequências. Uma leitura arrebatadora e surpreendente.
   
“Sob a redoma” é fascinante.


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Que comecem os trabalhos!


Olá pessoas! Bem-vindos ao Entre[linhas], um blog para os bookmaníacos de plantão. Por aqui vocês vão encontrar resenhas, críticas de adaptações cinematográficas, notícias, curiosidades e outras coisinhas mais sobre o mundo dos livros. Bom, tudo começou muito, muito tempo atrás. Tanto tempo que nem sei precisar exatamente quando. Primeiro vieram os livros infantis, depois as histórias em quadrinhos, os livros para a escola, livros para o vestibular, livros para a faculdade, livros "por diversão", livros, livros, LIVROS!!! Quando dei por mim, já estava completamente apaixonado (ou viciado) por esses mundo e lendo e colecionando livros como se não houvesse amanhã.


Daí veio a necessidade de falar desses livros, comentar, discutir sobre, fazer com que as pessoas também conhecessem essas histórias e, de certa forma, incentivar a leitura ( se isso não for pretensão demais...). Então, surgiu a ideia do blog. E para me ajudar a desenvolver tudo isso, chamei mais duas pessoas tão apaixonadas quanto eu: Karla, minha prima e parceira para toda e qualquer coisa (principalmente no que se refere a livros e filmes) e Hille, um anjo de candura que conheci na faculdade (só que não... Brincadeirinha!).

Foram muitas conversas, várias mensagens e discussões no whatsapp, e cá estamos nós. Sejam muito bem-vindos ao Entre[linhas] e esperamos que gostem desse nosso cantinho dedicado aos livros. Porque o livro existe para nos ensinar a descobrir coisas. E nada existe sem os livros. Não existe história, não existe nosso mundo sem livros. E é lendo que nós descobrimos um mundo que existe lá fora, bem longe. E também um mundo que existe em cada um de nós. Vem com a gente descobrir esse mundo.