sábado, 25 de abril de 2015

[Passarinha]

Título: Passarinha
Autora: Kathryn Erskine
Editora: Valentina
Ano de publicação: 2013
Páginas: 224




Sinopse
No mundo de Caitlin, tudo é preto e branco. Qualquer coisa entre um e outro dá uma baita sensação de recreio no estômago e a obriga a fazer bicho de pelúcia. É isso que seu irmão, Devon, sempre tentou explicar às pessoas. Mas agora, depois do dia em que a vida desmoronou, seu pai, devastado, chora muito sem saber ao certo como lidar com isso. Ela quer ajudar o pai – a si mesma e todos a sua volta –, mas, sendo uma menina de dez anos de idade, autista, portadora da Síndrome de Asperger, ela não sabe como captar o sentido.
Caitlin, que não gosta de olhar para a pessoa nem que invadam seu espaço pessoal, se volta, então, para os livros e dicionários, que considera fáceis por estarem repletos de fatos, preto no branco. Após ler a definição da palavra desfecho, tem certeza de que é exatamente disso que ela e seu pai precisam. E Caitlin está determinada a consegui-lo. Seguindo o conselho do irmão, ela decide trabalhar nisso, o que a leva a descobrir que nem tudo é realmente preto e branco, afinal, o mundo é cheio de cores, confuso mas belo. Um livro sobre compreender uns aos outros, repleto de empatia, com um desfecho comovente e encantador que levará o leitor às lágrimas e dará aos jovens um precioso vislumbre do mundo todo especial dessa menina extraordinária.

“Passarinha” conta a história de Caitlin uma menina de 10 anos com autismo e síndrome de Asperger. Ela mora com seu irmão mais velho, Devon, e seu pai, Hanry. Sua mãe morreu de câncer.

Devon é o “guia” da menina, indicando como ela deve agir nas mais diversas situações,  é o único que consegue entendê-la.  Ele morre em um massacre na escola. 


E Caitlin se vê “sozinha”.

O dia em que Devon morreu é intitulado por ela de: “O Dia Em Que A Nossa Vida Desmoronou”.

Para superar, a menina passarinha, precisa encontrar um novo jeito de viver e ajudar seu pai a voltar a sorrir.

Um dia a menina encontra o significado da palavra desfecho e entende que é isso que todos precisam, de um desfecho.

Devon era escoteiro e estava construindo um armário que era a sua missão para se tornar um Escoteiro Águia.

Passarinha transforma esse projeto no desfecho para as suas vidas.



E por que passarinha? Aí meu querido(a) Vá ler o livro, tenho certeza que não irá se arrepender!


“Fico só parada e passo os braços ao meu redor como um campo de força apertado os olhos até quase fecharem para tentar trancar tudo do lado de fora. Não funciona. Ainda me sinto como uma Caixa de Itens Falsa que o Mario Kart vai atropelar a qualquer momento. Começo a chupar o punho da blusa que sai da manga da jaqueta.” (p. 35)

Algumas coisas importantes sobre Caitlin:

ü  tem dificuldade de captar o sentido das coisas;
ü  gosta de fazer bicho de pelúcia;
ü  não gosta que invadam o seu espaço pessoal;
ü  ela é uma ótima desenhista, mas são consegue desenhar os olhos das pessoas;
ü  não gosta de cores;
ü  ela dá PIB (Piti Incrivelmente Barulhento);
ü  busca um desfecho para ela e o seu pai.



“Josh me encara com os olhos apertados. Não tenho culpa se o seu irmão está MORTO!
NÃÃÃÃO! Escuto um grito e só quando tento fugir para longe MUITO LONGE mas ele não para de me seguir é que percebo que sou eu.” (p.40)

O livro é contado por Caitlin, pelos seus olhos e pelas suas emoções.

O texto é escrito utilizando palavras inteiras com letras maiúsculas ou só algumas sílabas. Para destacar algum sentimento dela. 
Por exemplo, para Catlin palavras como coração devem ser escritas com a inicial maiúscula, porque é uma palavra importante, e palavras importantes são escritas com letra maiúscula. 

Os diálogos são fascinantes, dei muitas gargalhadas!

Ela é uma menina incrivelmente inteligente e encantadora!

"NA NOITE DE TERÇA ENTRO NA cozinha e encontro papai parado diante da pia.
O que tem para o jantar? Pergunto. Ele se vira depressa com os olhos muito grandes o que acho que quer dizer surpreso. Mas por que ele estaria surpreso se sabe que eu moro aqui? Que foi?  Pergunto. Desculpe. Ele se vira de novo para a pia. Eu estava meio perdido...Você está na cozinha, digo a ele. Fica perto da sala. Depois vem o corredor que vai dar nos..." (p.141)
Bom, não sou médica, mas perguntei ao Dr. Google e ele me disse que os autistas que são portadores da síndrome de Asperger são verbais e inteligentes, quase gênios, pois são muito bons nas áreas que gostam.

Isso fica bem claro no livro. 

Catlin devora livros do seu interesse. Inclusive livros com assuntos complexos que não são indicados para a sua idade.

Kathryn Erskine escreveu este livro inspirada no massacre da Virginia Tech University em 2007, um estudante matou 32 colegas e professores antes de se matar. Ela tentou interligar essa fatalidade com o mundo de uma criança com necessidades especiais para nos transmitir algo bom, forte e bonito

Devo confessar que mais uma vez comprei um livro pela capa! Que capa linda é essa?!?!

Que o “Extraordinário” (já tem resenha aqui no blog) não fique com ciúmes, mas “Passarinha” também é um livro extraordinário. 

Os dois estão na “lista de livros que os meus filhos vão ler” (sim, eu tenho essa lista #amalucadaslistas). 

O menino extraordinário e a menina extraordinária! (algum escritor podia escrever um livro com o encontro dos dois #ficadica).






Acredite, TUDO o que eu pudesse escrever sobre esse livro, não seria suficiente! 

Passarinha nos toca de uma maneira incrível, uma menininha de apenas 10 anos!


"Certo querida?
Papai tinha continuado a falar mas eu não estava pronta para prestar atenção. O quê?
A vida é especial.
Quer dizer... que não sou só eu que sou especial? Tudo na vida é ?
Isso mesmo.
Acho que a boa notícia é que todo mundo vai ter que aguentar ser especial porque todo mundo está vivo." (p.197)

Eu tenho uma queda por esses livros que parecem ter historias bobas, mas na verdade são maravilhosos. 

Alguns de vocês podem pensar: “ é só um livro de criança!” 

E eu digo: “É um livro de criança!!! (esqueçam o “só” pejorativo).

Crianças são puras, fascinantes, encantadoras... 

E quantas coisas não aprendemos com elas? São as melhores lições.

Um livro para ler, reler (já li 2 vezes), indicar e fazer campanha para que seja lido.

Passarinha nos faz rir e nos emocionar com tanta sensibilidade.

E pra terminar, concordo com Jim Trelease (que eu nem sei quem é):

"Esse livro vai agarrar você pelo coração e pelo pescoço, lhe dar uma boa sacudida, e deixá-lo torecendo pela alma humana. Se não se tornar um clássico, há algo de errado com todos nós."



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domingo, 12 de abril de 2015

[TRASH]



Título: Trash
Autor: Andy Mulligan
Editora: Cosac Naify
Ano de publicação: 2013
Páginas: 224





Sinopse
Raphael, Gardo e Rato são adolescentes que vivem e trabalham num lixão. A ocupação deles é revirar o lixo em busca de plástico e papel, de onde tiram o sustento da família. Dia após dia, sabem exatamente o que encontrarão: barro e mais barro. Ainda assim, sempre esperam por algo surpreendente, que altere essa difícil realidade. Até que eles enfim tem um dia de sorte – mas o bilhete premiado se mostra muito mais perigoso do que parecia.

Todo leitor tem na sua wishlist um livro que fica meio esquecido. O nome dele está lá, você quer muito ler aquela história, mas sempre vêm outros lançamentos e ele acaba ficando para trás.

Pois então. “Trash” era o renegado da minha lista de desejados. Até que veio o meu aniversário e eu ganhei o livro. Amigos que dão livros de presentes... Melhores pessoas!



“Trash” nos apresenta a Raphael, Gardo e Rato: três amigos que moram e trabalham no lixão de Behala, num país não especificado. É de lá que eles tiram o sustento, procurando por papel, plástico, metal e borracha para serem vendidos. Mas como dizem, você nunca sabe o que pode encontrar mexendo no lixo...

E um dia Raphael acaba encontrando uma bolsa. Dentro dela, uma carteira com documentos, um mapa da cidade, uma chave com um número, uma fotografia e dinheiro. Muito dinheiro. Raphael conta tudo a Gardo, seu melhor amigo e protetor naquele lugar.

No dia seguinte, alguns policiais aparecem no lixão oferecendo uma recompensa para quem encontrar a bolsa. Os dois não acreditam muito naquela história e decidem esconder os objetos na casa de Rato, um menino que vive isolado nos esgotos de Behala. Mas um dos policiais percebe que os garotos sabem de alguma coisa.

“A gente não sabia a encrenca em que tinha entrado. Nenhum dos dois se deu conta de que, quando a polícia acha que você tem alguma coisa, não vai parar até arrancar aquilo de você”. (p. 39)
“Eu fui idiota. Neste país, você paga o preço pela sua idiotice, assim como por ser pobre”. (p. 108)

Com a chave certa, você pode escancarar a porta. E Rato sabe exatamente qual porta aquela chave abre. Os garotos então partem para investigar e descobrir o significado de tudo aquilo.

A partir daí, se veem envolvidos numa trama intrincada envolvendo políticos poderosos e policiais corruptos. Uma trama perigosa que pode acabar mal para os três amigos.


Narrado em primeira pessoa, o livro tem capítulos alternando o ponto de vista de Raphael, Gardo, Rato e outros personagens. Aliás, os personagens são o grande trunfo de “Trash”. Eles são extremamente bem construídos e desenvolvidos no decorrer da história. 

Outro ponto alto é a escrita de Andy Mulligan. É ágil, frenética, quase como um roteiro de cinema. A leitura é um virar de páginas acelerado para descobrir como tudo vai terminar. E quando o desfecho chega, a gente está com saudade de Raphael, Gardo e Rato, ansiosos por uma última peripécia do grupo.

“Aprendi mais do que seria possível aprender em qualquer faculdade. Aprendi que o mundo gira em torno de dinheiro. Há valores, virtudes e morais; há relacionamentos, confiança e amor – tudo isso importa. No entanto, o dinheiro é mais importante, e pinga o tempo todo, como se fosse água. Alguns bebem muito dessa água; outros passam sede”. (p. 137)
“Quem se importa, afinal de contas? Quem se importa quem fez o quê, quando o legal é que fizemos tudo juntos?” (p. 197)

Publicado como um infanto-juvenil, o livro é uma aventura constante e ao mesmo tempo um soco no estômago, repleto de críticas à sociedade moderna, aos governos corruptos e às diferenças sociais.

Apesar dessa enxurrada de temas difíceis, “Trash” é uma leitura leve e agradável, e que, ao chegar no final, deixa uma mensagem de que o bem sempre vence o mal de alguma forma, e uma sensação de fé e esperança naquilo que as pessoas tem te melhor.


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