domingo, 12 de abril de 2015

[TRASH]



Título: Trash
Autor: Andy Mulligan
Editora: Cosac Naify
Ano de publicação: 2013
Páginas: 224





Sinopse
Raphael, Gardo e Rato são adolescentes que vivem e trabalham num lixão. A ocupação deles é revirar o lixo em busca de plástico e papel, de onde tiram o sustento da família. Dia após dia, sabem exatamente o que encontrarão: barro e mais barro. Ainda assim, sempre esperam por algo surpreendente, que altere essa difícil realidade. Até que eles enfim tem um dia de sorte – mas o bilhete premiado se mostra muito mais perigoso do que parecia.

Todo leitor tem na sua wishlist um livro que fica meio esquecido. O nome dele está lá, você quer muito ler aquela história, mas sempre vêm outros lançamentos e ele acaba ficando para trás.

Pois então. “Trash” era o renegado da minha lista de desejados. Até que veio o meu aniversário e eu ganhei o livro. Amigos que dão livros de presentes... Melhores pessoas!



“Trash” nos apresenta a Raphael, Gardo e Rato: três amigos que moram e trabalham no lixão de Behala, num país não especificado. É de lá que eles tiram o sustento, procurando por papel, plástico, metal e borracha para serem vendidos. Mas como dizem, você nunca sabe o que pode encontrar mexendo no lixo...

E um dia Raphael acaba encontrando uma bolsa. Dentro dela, uma carteira com documentos, um mapa da cidade, uma chave com um número, uma fotografia e dinheiro. Muito dinheiro. Raphael conta tudo a Gardo, seu melhor amigo e protetor naquele lugar.

No dia seguinte, alguns policiais aparecem no lixão oferecendo uma recompensa para quem encontrar a bolsa. Os dois não acreditam muito naquela história e decidem esconder os objetos na casa de Rato, um menino que vive isolado nos esgotos de Behala. Mas um dos policiais percebe que os garotos sabem de alguma coisa.

“A gente não sabia a encrenca em que tinha entrado. Nenhum dos dois se deu conta de que, quando a polícia acha que você tem alguma coisa, não vai parar até arrancar aquilo de você”. (p. 39)
“Eu fui idiota. Neste país, você paga o preço pela sua idiotice, assim como por ser pobre”. (p. 108)

Com a chave certa, você pode escancarar a porta. E Rato sabe exatamente qual porta aquela chave abre. Os garotos então partem para investigar e descobrir o significado de tudo aquilo.

A partir daí, se veem envolvidos numa trama intrincada envolvendo políticos poderosos e policiais corruptos. Uma trama perigosa que pode acabar mal para os três amigos.


Narrado em primeira pessoa, o livro tem capítulos alternando o ponto de vista de Raphael, Gardo, Rato e outros personagens. Aliás, os personagens são o grande trunfo de “Trash”. Eles são extremamente bem construídos e desenvolvidos no decorrer da história. 

Outro ponto alto é a escrita de Andy Mulligan. É ágil, frenética, quase como um roteiro de cinema. A leitura é um virar de páginas acelerado para descobrir como tudo vai terminar. E quando o desfecho chega, a gente está com saudade de Raphael, Gardo e Rato, ansiosos por uma última peripécia do grupo.

“Aprendi mais do que seria possível aprender em qualquer faculdade. Aprendi que o mundo gira em torno de dinheiro. Há valores, virtudes e morais; há relacionamentos, confiança e amor – tudo isso importa. No entanto, o dinheiro é mais importante, e pinga o tempo todo, como se fosse água. Alguns bebem muito dessa água; outros passam sede”. (p. 137)
“Quem se importa, afinal de contas? Quem se importa quem fez o quê, quando o legal é que fizemos tudo juntos?” (p. 197)

Publicado como um infanto-juvenil, o livro é uma aventura constante e ao mesmo tempo um soco no estômago, repleto de críticas à sociedade moderna, aos governos corruptos e às diferenças sociais.

Apesar dessa enxurrada de temas difíceis, “Trash” é uma leitura leve e agradável, e que, ao chegar no final, deixa uma mensagem de que o bem sempre vence o mal de alguma forma, e uma sensação de fé e esperança naquilo que as pessoas tem te melhor.


&&&&&




2 comentários:

  1. Assisti ao filme (Trash - A esperança vem do lixo, ), direção de Stephen Daldry, com o elenco composto por Wagner Moura, Selton Mello, os três (queridos) meninos, entre outros.
    Não li, mas o filme traz sua afeição para os garotos e o desenrolar da história. É, como citado, um soco no estômago. Faz o telespectador pensar nas relações que são construídas na sociedade e sua ligação direta com o dinheiro e poder. Tornei-me curioso quanto ao livro.
    Na lista.

    ResponderExcluir