domingo, 12 de julho de 2015

[PERDIDO EM MARTE]




Título: Perdido em Marte
Autor: Andy Weir
Editora: Arqueiro
Ano de publicação: 2014
Páginas: 336



Sinopse
Há seis dias, o astronauta Mark Watney se tornou a décima sétima pessoa a pisar em Marte. E, provavelmente será a primeira a morrer no planeta vermelho. Depois de uma forte tempestade de areia, a missão Ares 3 é abortada e a tripulação vai embora, certa de que Mark morreu em um terrível acidente. Ao despertar, ele se vê completamente sozinho, ferido e sem ter como avisar às pessoas na Terra que está vivo. Ainda assim, Mark não está disposto a desistir. Munido de nada além de sua curiosidade e de suas habilidades de engenheiro e botânico - e um senso de humor inabalável -, ele embarca numa luta obstinada pela sobrevivência.


Em mais um dos meus muitos passeios nas livrarias de Salvador, me deparei com o título “Perdido em Marte”. Um nome meio bobo, típico de filmes exibidos na Temperatura Máxima. Li a sinopse e achei bem interessante. Até me lembrou um pouco do excelente “Gravidade”, filme em que a Sandra “Miss Simpatia” Bullock fica à deriva no espaço. Pensei: Por que compra-lo? Por que não compra-lo? Por que compra-lo? Por que não compra-lo? Comprei! O livro ficou estacionado um bom tempo na minha estante até eu saber que ele ganhou uma adaptação cinematográfica, prevista para estrear por aqui em outubro (assista o trailer). Dei uma trapaceada na minha TBR e resolvi ler as desventuras do astronauta forever alone.


O livro narra a história de Mark Watney, um astronauta numa missão da NASA no Planeta Vermelho. Depois de uma forte tempestade de areia, a tripulação é orientada a cancelar a missão e ir embora. Durante o trajeto de volta à nave, Mark sofre um grave acidente. Todos os outros acreditam que ele está morto, então seguem com o plano de voltar pra casa ( #PartiuTerra ).

Por incrível que pareça, Mark sobrevive ao acidente e, ao acordar, percebe que está sozinho em Marte, sem ter como se comunicar com a Terra e com suprimentos suficientes para apenas mais alguns dias. Mas Mark é persistente, não do tipo que desiste fácil. Sendo assim, vai usar todos os seus conhecimentos de engenheiro e botânico para travar uma difícil batalha pela sobrevivência.


E foi exatamente nesse ponto que a leitura de “Perdido em Marte” ficou um pouco complicada para mim. O autor enche o livro de embasamentos científicos para mostrar como o personagem estava fazendo para conseguir oxigênio, água e até plantar batatas em solo marciano. Mas como isso pode ser ruim? Mostra o quanto Andy Weir pesquisou sobre o assunto e como tudo aquilo era plausível. Ok, eu concordo. Mas para uma pessoa que não é da área de química e biologia (lê-se: que não gosta/entende desses assuntos), pode parecer informações e técnicas demais. Muita ciência e pouca ficção.

No entanto, isso permanece somente nas páginas iniciais. Com o decorrer do livro, diversas situações vão ocorrendo. Situações bem angustiantes que prendem a nossa atenção. E, mais uma vez, os detalhes de Andy Weir (dessa vez utilizados na parte fictícia da história) são fundamentais para criar um clima de tensão constante. Não existe um momento de calmaria. Sempre tem alguma coisa acontecendo. Boa ou ruim.


"Se o oxigenador quebrar, vou sufocar. Se o reaproveitador de águar quebrar, vou morrer de sede. Se o Hab se romper, vou explodir. Se nada disso acontecer, vou ficar sem alimento e acabar morrendo de fome. Então, é isso mesmo. Estou ferrado." (p. 14)
"Se um  excursionista se perde nas montanhas, as pessoas organizam uma busca. Se um trem colide, as pessoas fazem fila para doar sangue. Se um terremoto arrasa uma cidade, as pessoas em todo o mundo mandam suprimentos de emergência. Isso é tão fundamentalmente humano que é encontrado em todas as culturas, sem exceção. Sim, existem babacas que não se importam, mas são uma ínfima minoria. E, por causa disso, bilhões de pessoas ficaram do meu lado." (p. 335)


A escrita do autor é bastante agradável e flui num ritmo bacana. E o personagem principal, Mark Watney, é um dos caras mais bem humorados e carismáticos que já encontrei num livro. Sem falar na sua inteligência. Ele manja dos paranauê.

Enfim, esse foi o meu primeiro livro de ficção científica e uma experiência diferente para mim. Apesar do estranhamento inicial, de ficar perdido no meio de moléculas, elementos e reações químicas, a história me conquistou e se tornou uma surpresa bem agradável. “Perdido em Marte” nos mostra que não há nada tão forte e poderoso quanto o espírito humano.


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